segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Babel, de Alejandro Iñárritu

Palavra Esparsa
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Tivesse eu saído da sala de cinema a meio da película, sem ter conhecimento do epílogo de cada um dos enredos paralelos, não hesitaria em considerá-la, mesmo assim, uma obra prima.
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O menos importante no filme é precisamente cada uma das histórias, ligadas entre si por artíficios narrativos mais ou menos plausíveis. Elas servem apenas para nos relembrar alguns aspectos da vida humana em sociedade e das relações entre os povos: tensão constante, incompreensão (linguística, cultural, política...), diversidade, amor, esperança.
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Esperança. É esse o sentido do bilhete entregue por Chieko (a personagem adolescente encarnada magistralmente por Rinko Kikuchi - por mim, é seu o óscar para melhor atriz secundária) ao agente da polícia japonesa. Muito se tem discutido sobre o conteúdo do bilhete, se devia ter sido revelado ou não, se é um artifício narrativo gasto... Parece-me uma discussão estéril. A única coisa relevante é que o bilhete é, de facto, lido. E, como tal, presume-se, compreendido. Porque é disso que trata o filme: da necessidade de ultrapassar os obstáculos à compreensão entre os homens.
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Banda sonora magnífica: será a música um meio privilegiado para o entendimento entre os seres humanos?
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1 comentário:

debora disse...

mas como a curiosidade matou o gato, O QUE DIZIA O BILHETE, PELO AMOR DE DEUS?!?!?