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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Poema (Desobediência Civil)

Poema do Mundo
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Um sábio
não sabia fumar cachimbo
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mas a mulher do sábio sabia
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quando o sábio chorava
por não saber fumar cachimbo
a mulher do sábio sorria
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e assim durante meses e anos
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até que
no dia em que o sábio sabia que morria
não disse à mulher que sabia
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por isso quando ele chorava
a mulher do sábio sorria
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António José Forte
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in Corpo de Ninguém, Hiena, 1989
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Defesa de Peter Huchel ou Critério

Poema do Mundo

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Também ao verso é vedado
ser mais leve
que o seu peso

Reiner Kunze

Tradução de Luz Videira e Renato Correia, in Reiner Kunze, Poemas, Paisagem Editora, 1984

Nota: Peter Huchel foi um poeta proscrito das autoridades da antiga República Democrática Alemã, de que Reiner Kunze também era cidadão.
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Verteidigung Peter Huchels oder Kriterium
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Auch dem vers ist's versagt,
leichter zu sein
als sein gewicht

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Canção

Poema do Mundo

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Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
- mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
- mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade

in Primeiros Poemas
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A minha querida mãe faz hoje 61 anos. Parabéns, .
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sábado, 30 de dezembro de 2006

Poema do Alegre Desespero

Poema do Mundo

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Compreende-se que lá para o ano três mil e tal
ninguém se lembre de um certo Fernão Barbudo
que plantava couves em Oliveira do Hospital

ou da minha virtuosa tia-avó Maria das Dores
que tirou um retrato toda vestida de veludo
sentada num canapé junto de um vaso com flores.

Compreende-se.

E até mesmo que já ninguém se lembre que houve três impérios no Egipto
(o Alto Império, o Médio Império e o Baixo Império)
com muitos faraós, todos a caminharem de lado e a fazerem tudo de perfil,
e o Estrabão, e o Artaxerxes, e o Xenofonte, e o Heraclito
e o desfiladeiro das Termópilas, e a mulher do Péricles, e a retirada dos dez mil,
e os reis de barbas encaracoladas que eram senhores de muitas terras,
que conquistavam o Lácio e perdiam o Epiro, e conquistavam o Epiro e perdiam
.......................................................................................[o Lacio,
e passavam a vida inteira a fazer guerras,
e quando batiam com o pé no chão faziam tremer todo o palácio,
e o resto tudo por aí fora,
e a Guerra dos cem Anos,
e a Invencível Armada,
e as Campanhas de Napoleão,
e a bomba de hidrogéneo,
e os poemas de António Gedeão.

Compreende-se.

Mais império menos império,
mais faraó menos faraó,
será tudo um vastíssimo cemitério,
cacos, cinza e pó.

Compreende-se.
Lá para o ano três mil e tal.

E o nosso sofrimento para que serviu afinal?

António Gedeão

in António Gedeão, Poesias Completas (1956-1967), Livraria Sá da Costa Editora, 1987

sábado, 23 de dezembro de 2006

The Mother

Poema do Mundo


Of course I love them, they are my children.
That is my daughter and this is my son.
And this is my life I give to them to please them.
It has never been used. Keep it safe. Pass it on.

Anne Stevenson

Dedico o primeiro post do meu blogue à minha mãe, Alice.