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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Croácia (Périplo 2012), dia 14: Arles e o fim da viagem

Já tínhamos passado em Arles em duas ou três ocasiões, mas sem parar. Sabíamos que justificava uma visita, pois alguns dos seus monumentos são património da humanidade da UNESCO. Ora, tendo aqui pernoitado um pouco por acaso, por que não aproveitar a ocasião?
 
Por isso levantámo-nos cedo. Tentaríamos visitar o essencial durante a manhã. Ainda tínhamos dois dias para chegar a casa, por isso podíamos gerir o tempo com alguma folga.
 
Comprámos um bilhete conjunto para o anfiteatro e o teatro romanos. Começámos pelo anfiteatro, que estava muito bem preservado (na verdade, é um dos mais bem preservados do mundo). Tem capacidade para 21000 pessoas e ainda hoje é usado, em especial para a realização de touradas, de que vimos alguns cartazes. Das bancadas do topo vê-se toda a cidade. Dali, aproveitei para fotografar algumas portadas das casas em redor.
 






O teatro está mais degradado, mas não descuidado. As duas colunas que ainda sobrevivem de pé chamam-se "As duas viúvas". É aqui que se realiza o festival de Arles todos os anos.




Terminámos a visita à cidade com um passeio pelas ruas centrais de Arles até à Praça da República, onde pudemos apreciar a fantástica fachada românica da Église St-Trophime.



Levantámos a hipótese de acamparmos em Segóvia - outra das cidades que temos adiado visitar. Mas o cansaço acumulado fez-nos decidir por um "tiro" até casa. E assim fizemos, deixando Segóvia para outra aventura. Chegámos a casa às 3 da madrugada do dia seguinte. Durante as últimas centenas de quilómetros deste nosso périplo à Croácia fizemos o balanço habitual, que em baixo sintetizamos.
 
Conta-quilómetros: 7064 (1398 no dia)
 
Despesa total: 2800 euros (inclui alimentação, alojamento, gasolina, portagens, visitas e lembranças adquiridas durante os 14 dias da viagem e antes da partida)
 
Aspetos negativos da viagem:

RUI

1º lugar: ter de deitar fora alguma comida
2º lugar: impaciência/ indiferença dos croatas
3º lugar: dificuldade em encontrar gelo

LILIANA

1º lugar: impaciência/ indiferença dos croatas
2º lugar: pouco tempo para desfrutar das coisas
3º lugar: quilómetros percorridos

Os melhores lugares:

RUI

1º Parque Nacional de Plitvice
2º Lago Garda
3º Peníncula de Peljesac
4º Dubrovnik
5º Zadar

LILIANA

1º Parque Nacional de Plitvice
2º Lago Garda
3º Dubrovnik
4º Ilha de Krk
5º Passagem pela Eslovénia


Os melhores momentos:

RUI

1º Adormecer ao relento sob o céu estrelado no Lago Garda
2º Nadar em Primošten ao pôr do sol
3º Jantar no molhe de San Sebastian ao pôr do sol
4º Oferecer melão português à vendedora de estrada perto de Ploče e receber em troca aquele sorriso
5º Tomar um copo de vinho branco Žlahtina em Vrbnik

LILIANA

1º Adormecer ao relento sob o céu estrelado no Lago Garda
2º Dar de comer aos peixes e patos em Plitvice
3º Tomar um copo de vinho branco Žlahtina em Vrbnik
4º Tomar banho em Orebić
5º Comprar fruta no mercado de Zadar


Ler: Dia 0

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Croácia (Périplo 2012), Dia 2: Banho provençal



O segundo dia de viagem não teve muito para contar, como geralmente acontece nestas tiradas mais longas. Almoçámos por alturas de Montpellier - petiscos ainda trazidos de Portugal, seguidos de um café francês que nos continua a insatisfazer (a nossa hierarquia dos cafés: 5 estrelas para Itália, 4 para Portugal e Eslovénia, 3 para Espanha e 2 para França).
 
Procurámos acampar perto de St. Tropez, ainda a horas decentes, mas foi impossível. Nem precisávamos de entrar nos parques, pois éramos informados por avisos afixados à entrada de que estavam esgotados. No fundo, já o imaginávamos: nestas paragens da Côte d'Azur, junto ao mar, ou com marcação antecipada (de que não gostamos, por querermos ser "livres"), ou muito perto do meio-dia - a hora de check-out -, o que também não encaixa na nossa rotina de férias.
 
Avançámos então para um nosso conhecido do ano anterior - o Domaine de La Bergerie, às portas de St. Paul de Vence, que voltámos a fotografar, ao longe. Não estava a abarrotar, como no ano anterior, em que arranjámos lugar por uma unha negra; estaria a metade da ocupação, talvez - resultado de quinze dias de diferença no calendário. E também havia menos melgas, como observou de imediato a Lili.
 
Antes da primeira refeição quente em 36 horas, tivemos tempo para uma banhoca divinal na piscina do parque, quase toda para nós àquela hora (quase oito da noite). Valeu por todo o dia de viagem! Ao jantar, tínhamos já planeada uma caldeirada de bacalhau de uma posta volumosa que trouxemos congelada desde Portugal, que fomos mantendo em condições na nossa arca. Soube muito bem, não obstante um esquecimento imperdoável: esqueci-me de adicionar azeite! Fizémo-lo no final, o que disfarçou a coisa
 
Conta-quilómetros: 1679 (744 nesta tirada)
 
Ler: Dia 0     Dia 3

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Croácia (Périplo 2012), Dia 1: Jantar em San Sebastián

Como tem vindo a suceder nos últimos anos, partimos de Arcos de Valdevez mais tarde do que o previsto. Desagrada-me, mas acabo por digerir a insatisfação pensando que estamos em período de descanso e que os horários somos nós que os fazemos. 10.10 da manhã e conta-quilómetros a 0.
 
Neste primeiro dia pretendíamos pernoitar perto de Avignon, o que já não seria possível. Redefinimos o objetivo para Tarbes, no Ibis local. Decidimos que nestas tiradas de largas centenas de quilómetros - de saída e chegada -, não acamparíamos. O que nos permite fazer sempre mais 300-400 quilómetros por dia e descansar um pouco melhor.
 
Quando iniciámos a travessia do País Basco, constatámos que ainda íamos com tempo para um desvio há muito adiado: jantaríamos os rissóis, bolinhos de bacalhau e afins, que preparáramos no dia anterior, num qualquer espaço agradável de San Sebastián.

Fomos surpreendidos por um mar de gente no centro da cidade e com a quase impossibilidade de estacionar nos parques subterrâneos do centro, no início da Alameda del Boulevard - tarefa que nos levou mais de meia hora. Já sabíamos que San Sebastián é uma cidade sempre em festa, mas aquela alegria contagiante que todos emanavam foi surpreendente. Assistimos a uma parada tradicional e jantámos na Bahía de la Concha ao som de um concerto rock que zurzia junto à marina. De bucho cheio, caminhámos pelo paredão e desfrutámos de um anoitecer fantástico, enquanto os locais e  veraneantes estendiam as suas toalhas para cenar a hora mais espanhola. Carpe diem!
 



 




 
Chegámos a Tarbes pouco antes da uma da manhã - ainda a tempo de descansar o suficiente para enfrentarmos outra jornada extensa. Durante este percurso final conversámos sobre as diferenças entre espanhóis e portugueses; sobre como aqueles passam - e bem - o seu tempo livre fora de casa; sobre o custo de vida; as paisagens; o urbanismo... Viajar é isto: colocar o que já conhecemos no prato de uma balança e o que vamos conhecendo no outro. E saber escolher.
 
Conta-quilómetros: 935
 
Ler: Dia 0     Dia 2

domingo, 25 de agosto de 2013

Périplo 2011, Eslovénia - Dia 15: Balanço

A última tirada desta nossa aventura à Eslovénia começou com uma visita rápida a Tarbes. O tempo estava pouco apelativo, mas nem que estivesse encontraríamos grandes motivos de interesse. O melhor que nos ocorre dizer é que Tarbes é uma cidade discreta.
 
 
Durante o dia, fizemos o balanço da viagem (ler em baixo): costumamos elencar as três ou cinco coisas/ destinos de que gostámos mais e as 3 de que gostámos menos; fazemos contas às despesas; sonhamos com o périplo do ano seguinte. Este ano, fizemos a distinção entre lugares e ações/ acontecimentos. No intervalo destas conversações, parámos numa área de descanso perto de Burgos e despachámos uma punheta de bacalhau muito lusitana, acompanhada de uma cerveja italiana de bom gosto, mas pouco fresca (não comprámos gelo para esta tirada final, pois não se justificava), de nome Poretti.
 
 
Quilometragem final: 6002 (942 nesta tirada)

Ir para: Dia 0
 
O NOSSO BALANÇO:
 
Os meus lugares preferidos: 1º Veneza; 2º Bled; 3º Mónaco; 4º Piran; 5º Tourettes-sur-Loup.
Os lugares preferidos da Lili: 1º Bled; 2º Veneza; 3º Mónaco; 4º St. Paul de Vence; 5º Lago de Sanabria.
 
As coisas que preferi fazer: 1º Beber uma Moretti em Giudecca, com a praça de S. Marcos do outro lado do canal; 2º Comer sardinhas em Izola; 3º Andar de vaporetto; 4º Remar no lago Bled; 5º Subir ao Vogel
As coisas que a Lili preferiu fazer: 1º Tomar banho/ mergular nas águas do Adriático, em Izola; 2º Andar de vaporetto; 3º Comer sardinhas em Izola; 4º Andar de bicicleta em Bled; 5º Caminhar até à cascata Slap Savica.
 
Os meus pontos negativos: 1º Mosquitos; 2º A portagem do túnel de Fréjus; 3º A humidade no ar.
Os pontos negativos da Lili: 1º Mosquitos; 2º A humidade no ar; 3º As retretes em França.
 
Despesa total (apurada em maior detalhe em casa): 2.250 euros em 15 dias, incluindo 100 euros para despesas de desgaste do automóvel. As despesas por rúbricas: gasolina: 26%; alojamento (camping e hotel): 18%; portagens: 16%; supermercado/ alimentação (inclui compras feitas à partida): 15%; refeições fora: 7%; lembranças (comes e bebes, sobretudo): 7%; transportes/ estacionamento: 4%; desgaste do automóvel: 4%; entradas: 2%; outros: 1%.
 
FIM

Périplo 2011, Eslovénia - Dia 14: De Asti a Tarbes

Embora não fizesse parte dos nossos planos, estando tão perto, não podíamos deixar de visitar Asti. Madrugámos, pois tínhamos uma grande tirada pela frente. Na verdade, acordámos com o cantar intenso de pegas, o que nos encantou.
 
O guia da American Express não nos dizia nada de relevante para justificar a visita, mas estávamos curiosos por calcorrear outra cidade italiana. As poucas impressões que tínhamos não eram muito boas: algo degradadas, de cores pouco alegres. E Asti não surpreendeu. Estivemos ali umas duas horas, num passeio relaxado, a apreciar pequenos pormenores, como o do preço do calçado! Acabámos por comprar duas garrafas de Asti como recordação. E pouco mais. Mas pareceu uma cidade calma, minimamente agradável para se viver.
 


 
Entre Asti e a fronteira, ultrapassámos um explorador extraordinário. Sonhámos com as aventuras que teria tido e invejámo-lo. Passámos de Itália para França através do túnel de Fréjus. Escandalizados! 36.80 euros para percorrer cerca de 12 quilómetros, pagos à entrada! Rogámos cobras e lagartos e perguntámo-nos se muitos já não teriam chegado ali e voltado para trás por não disporem da quantia exigida! Ou não a querem pagar!
 
 
A paisagem em redor de Grenoble deixou-nos entusiasmados e com vontade de ali voltar com tempo. Mas conscientes de que o mundo é demasiado grande para podermos satisfazer todas as nossas vontades e sonhos. Mas também: querer é poder; ou é, pelo menos, o seu primeiro passo.
 
Entre Nîmes e Narbonne apanhámos muito mau tempo: chuvas intensas e um céu escuríssimo! Nem pensar em acampar naquelas circunstâncias, a não ser que estivesse diferente mais adiante, perto de Carcassonne (não era a primeira vez que apanhávamos mau tempo perto de Narbonne, que parece ter um microclima especial, talvez pela confluência dos Pirineus e o Mediterrâneo). E não é que estava mesmo! Tentámos acampar no camping de Carcassonne, nosso conhecido, mas em vão. Às oito da noite é quase impossível arranjar-se um lugar num parque tão bem situado como aquele. Não conseguimos estabelecer contacto telefónico com o camping mais próximo (e que ainda era distante), pelo que decidimos avançar na viagem e arriscar uma tirada direta até Portugal, com algum descanso numa estação de serviço durante a madrugada. Como é nosso hábito, informei o meu irmão do nosso ponto de situação e das nossas intenções. Demoveu-nos e acabámos por dormir novamente no Ibis de Tarbes, onde chegámos por volta da meia-noite. No trajeto final, mantive-me desperto a ouvir um R. Madrid - Barcelona na Rádio Nacional de Espanha, enquanto a Lili picava o ponto do primeiro sono.
 
Quilometragem: 5060 (1011 no dia)
 
Ir para: Dia 0    Dia 15


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Périplo 2011, Eslovénia - Dia 6: duas surpresas

Partimos de La Sine em direcção a Veneza. Prometia ser uma jornada longa, mas a expectativa de visitar a cidade flutuante era mais forte do que qualquer cansaço antecipado. Aliás, Veneza já esteve no roteiro de um périplo que realizámos até à Austria em 2004, para o trajecto de regresso, mas, à última hora, virámos a norte e fomos refrescar-nos com umas cervejas extraordinárias a Munique. Para esta jornada tínhamos apenas programado um curto desvio, ainda em França, até La Turbie, de onde (tínhamos lido algo) parecia haver um excelente miradouro sobre o principado do Mónaco.
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Não conseguíamos estacionamento em La Turbie e, como a luminosidade também não era boa, decidimos avançar na viagem, pelo que tentámos apanhar de novo a A8 em direcção a Itália. Mas fizémo-lo pela estrada serpenteante que desce para o Mónaco, tão espectacular no cinema (ao volante não impressiona tanto). No cruzamento para a A8 , pergunto: Queres ir ao Mónaco?
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(para visualizarem melhor as fotografias, basta fazerem um clique sobre elas)
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Estacionámos o automóvel no primeiro parque coberto que encontrámos, já perto do centro. Contudo, ao entrarmos num posto de turismo ali próximo, soubemos que ainda estávamos em França, em Beausoleil, cidade que delimita com Monte-Carlo, com muitos edifícios em estilo Belle  Époque. Estão de tal modo juntas que é difícil saber onde acaba uma e começa a outra, de modo que num minuto passámos para o outro lado e começámos a abrir a boca...
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O espanto não resultava apenas da elegância dos edifícios, dos automóveis sem preço que circulavam carro sim carro não, da delicadeza do Jardim Japonês..., mas também da dificuldade em respirar, tal era a percentagem de humidade no ar! Bastaram-nos 5 minutos fora do automóvel para sentirmos as T-shits coladas ao corpo; seria do céu encoberto ou a consequência de um micro-clima particular? Fosse o que fosse, nada nos parou, qual carro de Fórmula 1 a largar borracha na apertadíssima curva Loewe, tão conhecida dos adeptos da modalidade. Apertados, mas de tempo, também estávamos nós, que ainda queríamos acampar em Veneza, a quinhentos quilómetros de distância: pensávamos ficar apenas duas horas, mas acabámos por ficar quatro!
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Teremos caminhado uma dezena de quilómetros para ver os principais edifícios do principado; mas teriam sido mais, não fosse o mini-mini cruzeiro pela marina, que nos colocou na base do Rocher. Subimos por umas escadas em ziguezague, junto ao mar, ofegantes, pese o alívio na percentagem de humidade e uma brisa refrescante que começara a correr. Vistas fantásticas sobre La Condamine e o Port de Fontvieille compensaram o esforço. Como não esperávamos ficar muito tempo não trouxemos as habituais sandocas para o almoço, pelo que matámos o bicho numa das ruas de acesso ao Palais Rainier. No percurso de regresso ao parque de estacionamento ainda visitámos a belíssima Eglise Sainte Dévote.
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A segunda surpresa do dia foi menos positiva. Uma desilusão, na verdade: sempre sonhei em fazer a auto-estrada A8-A10, que liga a Provença a Génova, a serpentear pelas colinas e falésias da Ligúria. Sonho cumprido, mas visualmente pouco estimulante: os montes e vales que descem para o mar estão manchados de branco transparente, das estufas que, certamente, alimentam as populações locais mas desiludem viajantes sonhadores. Para além disso, a A10 está pessimamente sinalizada e cansa qualquer amante do volante. Foi um alívio deixar Génova para trás e poder manter uma velocidade constante, de 130 quilómetros por hora, que nos deixou em Oriago, Veneza, pouco depois das 8 da noite, no camping Della Serenissima - onde iniciámos um combate mortal.
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Nota do dia: se o preço da gasolina fosse um parâmetro fiável da qualidade de vida de um país, só seríamos batidos pelo Mónaco. Com a desvantagem de eles terem muito pastel. Os nossos políticos são fantásticos!
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Conta-quilómetros: 2643 (506 nesta etapa)
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