domingo, 18 de outubro de 2009
Assim se recebe em Coura
domingo, 30 de agosto de 2009
Preguiça
terça-feira, 12 de maio de 2009
O Pântano, Serra da Peneda
O Pântano revela-se um pequeno lago acolhedor, pontilhado por pequenas flores aquáticas. O cantar das rãs domina o silêncio da serra. Um casal alemão desfruta da beleza circundante, recostado a uma rocha sobre a água. Vislumbramos uma garça na outra margem, rainha absoluta do espelho aquático. Vamos disparando as máquinas fotográficas entre poucas palavras, todas de espanto, até que os cheiros do farnel nos arrastam o paladar até uma rocha cortada como mesa por sortilégios da natureza. Os bolinhos de bacalhau, os panadinhos, o tinto e demais acepipes... Um piquenique como manda a lei e o bom gosto.
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sábado, 21 de março de 2009
Las Médulas, Paisagem d'Ouro
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A não perder, também, a vista geral sobre Las Médulas proporcionada pelo Miradouro de Orellán, junto a uma pequena aldeia com o mesmo nome e acessível por estrada a poucos quilómetros de distância. Será o ponto alto de um passeio memorável, como podem documentar estas duas últimas fotografias. Se feito no inverno, o vento frio que sopra das montanhas em redor ajudará a memorizar na nossa pele a visão extraordinária que se nos depara.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Caldeirada na Costa da Caparica
sábado, 1 de novembro de 2008
Ecovia Ponte da Barca - Ponte de Lima
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Parque Natural e Nacional de Doñana
Parámos junto à margem direita do Guadalquivir, limite oriental e natural do parque, com Sanlúcar de Barrameda a um relance do olhar, na província de Cádiz. Em poucos minutos chegamos de novo à praia, junto à foz do quarto maior rio da Península Ibérica. Passámos por várias patrulhas da Guardia Civil e o Gonzalo especula: "o Zapatero deve estar aqui de férias; costuma vir para Huelva e passa as tardes na praia do Parque Nacional." Quem sabe, sabe: alguns quilómetros depois, outra patrulha ordena aos 4x4 (nesta tarde, saíram 5, sempre distanciados por várias centenas de metros) que se afastem da beira-água e inflitam para o ponto alto da praia; um pouco à frente, sentados em cadeiras de praia, de face para o mar e protegidos por um jipe e vários agentes, lá estavam o Primeiro espanhol e a companheira. Boa vida! O rolo da minha câmara, infelizmente, já se tinha acabado; mas não foi pelo político que o lamentei: a meio dos trinta quilómetros deste percurso final junto à água (que o Gonzalo fez questão de percorrer a 40 quilómetros/ hora, num ziguezague vertiginoso e memorável) deparámo-nos com o momento mais terno e extraordinário de todos: uma mãe javali tinha descido das dunas à linha de água em busca de "alimento fácil" (carcaças de vida marinha, explicou o Gonzalo); mas não vinha só: atrás de si, dois javalizinhos cambaleavam, aprendendo a vida e desfrutando de uma liberdade protegida.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Camping Aldán, mais uma vez
sábado, 28 de junho de 2008
Arroz de feijão, mas com menos sal
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- “Devem ter percebido. Falaram em Inglês?”
- “Sim,” confirmou a Catarina, formadora de TIC.
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No domingo passado, os nossos alunos quarentões de um curso de formação de adultos (daqueles que têm mesmo 900 horas de formação, não dos outros, de que todos já ouviram falar…) realizaram uma actividade integradora no âmbito das tradições gastronómicas do concelho de Ponte da Barca. Aproveitando os festejos do S. João no parque de merendas sobranceiro ao rio Lima, montaram uma barraquinha de comes e bebes e presentearam os barquenses e visitantes de passagem com um fabuloso arroz de feijão com pataniscas e iscas de bacalhau, caldo de farinha e vinho verde carrascão. O facto de duas das formandas serem cozinheiras de profissão era garantia de bons apetites. A testemunhá-lo, o já referido grupo de russos e os meus amigos israelitas, Tehila e Baruch Levi.
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As pataniscas estavam tão boas que vieram repetir o repasto. “Ó Rui, Rui, aquele é o casal israelita!,” acenava o meu colega Nuno, formador de Matemática para a Vida. Não foi preciso dizer mais nada: em dois minutos, a minha curiosidade pelas coisas do mundo fez-me saber que a Tehila – vejam a coincidência – também era professora de Inglês e o Baruch militar no ramo das comunicações, ambos reformados. E por quê Ponte da Barca? Pois vieram ver o rancho folclórico da vila, que actuava ali naquela noite. Uma razão tão boa como qualquer outra, diga-se, mas que à maioria dos portugueses não faria mover uma palha, quanto mais tantos quilómetros. Mais extraordinário ainda é o facto de o casal Levi nunca ter ouvido falar nem visto este rancho antes de rumar à Península Ibérica para um período de férias ansiado. Estavam em Lisboa, vindos de Madrid, onde alugaram carro, e aí assistiram a um festival folclórico com vários grupos do país. Gostaram tanto deste que, sabendo que tornaria a actuar aqui neste domingo, fizeram-se à estrada. Não imaginavam a sorte que teriam – a de conhecer uma das regiões mais bonitas deste nosso Portugal. E claro, de provar pataniscas tão sublimes!
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Na verdade, a Tehila e o Baruch já planeavam dirigir-se para norte – mas não tanto. Há 25 anos já haviam estado em Portugal e desejavam voltar a alguns dos locais que então visitaram. Coimbra era um deles. Pernoitaram no mesmo hotel de há 25 anos, junto ao Mondego. E segundo eles, foi como se visitassem outro país: “Nessa altura, as pessoas vinham para a cidade de bicicleta ou de burro e traziam cinco, seis filhos à sua volta. A maior parte descalços ou de sandálias, e todos vestidos de escuro. Muito pobres.” Referiram a margem do Mondego, completamente recuperada, as estradas boas, os prédios novos… “Mas as pessoas são as mesmas, muito simpáticas; só que muito mais conversadoras.” Ficaram espantados quando lhes disse, a propósito do curso de formação de adultos e da actividade que estavam a levar a cabo, que quase 40% da população portuguesa apenas tinha 4 anos de escolaridade. “Em Israel quase todos têm o ensino secundário!” (confirmei há pouco estes dados; e se não correspondem literalmente à verdade, não estão longe disso: a escolaridade média dos israelitas é de 11,8 anos!).
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- “Vocês têm uma vida muito relaxada”, dizia-me o Baruch, olhando em volta para os comensais satisfeitos; a música popular a marcar o ritmo das suas conversas triviais.
- “Sim, é verdade. Faz parte do espírito português.”
- “Em Israel, vivemos pelo dinheiro. Todos têm dois empregos. Levanto-me todos os dias às 7 da manhã e leio o jornal todo. E durante o dia ouço as notícias hora a hora.”
- “O Baruch agora é agente de seguros”, acrescentou a Tehila.
- “Os árabes obrigam-nos a viver o dia-a-dia como se fosse o último das nossas vidas,” continuou o Baruch, como que sentindo o dever de afirmar ao mundo o porquê de ser israelita – sentimento patriótico genuíno, do fundo da sua alma; talvez um nada amplificado pela sua formação militar.
- “Demos territórios aos palestinianos, mas não lhes chegam. Querem tudo. Não querem que existamos. Não compreendo.”
Independentemente das razões históricas de cada um dos povos, consigo compreender a tensão e paixão que Baruch deixa transparecer nas suas palavras. Tehila mostra-se mais reservada, mais curiosa com as coisas do mundo: “É encantador! Ver pessoas de idades diferentes a actuar em palco. Não é normal. Nunca tínhamos visto algo semelhante nas nossas viagens, a não ser na Roménia e Bulgária.” Levanta-se da nossa mesa para se aproximar do palco e repetir as fotografias que já tinha tirado em Lisboa, com os olhos humedecidos de alegria. Eu e o Baruch continuamos a conversa com o nosso segundo fino.
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Despedimo-nos com a promessa de trocar correspondência, que se cumprirá. A Tehila fará certamente o arroz de feijão (com menos sal, sublinham), a partir da receita traduzida pelos meus formandos. Todos ficámos mais ricos com o conhecimento mútuo. A Tehila e o Baruch com a esperança de dias de menor tensão; nós com a certeza de vivermos num cantinho privilegiado do mundo, não obstante a pobreza de muitos, escondida por estradas modernas, prédios bonitos, carros topo de gama… Valham-nos as pataniscas, tão bem acompanhadas!
















































