terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Boa mesa

Vianda
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Não é coincidência os últimos textos deste blogue versarem a boa mesa portuguesa. A quadra assim o exige.
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A meio da tarde de ontem, e após saborear 8 bolinhos de bacalhau morninhos e estaladiços e uma rabanada fresquinha, a minha esposa convocou-me à farmácia para um check-up ao meu colesterol malandro. Antecipava um resultado absolutamente assustador. Todavia, os 240 mg/ dl ficaram apenas na média preocupante dos últimos tempos...
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Na tarde de hoje, de regresso do almoço de ano novo, composto pela habitual farrapada velha e um apetitoso cabrito estufado (mais as doçarias sobrantes da noite velha: 3 rabanadas da minha mãe de sobremesa!), decidimos, por unanimidade, que o jantar de hoje seria uma canjinha de galinha caseira e, caso nos apetecesse, um pouco de pão com presunto ou queijo...
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Como a galinha caseira demora a cozer e a fominha já apertava, antecipámos os outros acepipes: um majestoso queijo de ovelha seco de Celorico da Beira (sem rótulo, e por isso - e ainda bem -, certamente desconhecido da ASAE), presunto da Casa Marinel, de Lalim, Lamego, e as melhores azeitonas que a minha boca já teve o prazer de degustar: curtidas com ervas aromáticas pela APPACDM de Elvas. A acompanhar, o pão que se pôde arranjar num dia de folgança. E claro, um madurinho do Dão: Quinta de Cabriz.
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Pode ser que a canjinha tenha compensado a gulodice... Na verdade, daria 10 anos da minha vida (dos 100 aos 110, pode ser?) ao colesterol por inúmeros jantares como o de hoje.
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Feliz 2008!
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terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Alentejanices no D. José Pinhão, em Constância

Aqui Bem Se Come
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Vindos de uns dias prazenteiros no Alto Alentejo e sendo horas de aconchegar o estômago, acostámos à belíssima vila de Constância, debruçada em escada sobre um Tejo diminuído pela seca. Em frente, a relembrar-nos que no mundo moderno a beleza bucólica tem sempre um contraponto, uma celulose horrenda expelia o seu fel gasoso. Desviámos o olhar, não fosse estragar-nos o repasto reconfortante que antecipávamos.
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Indagado um transeunte nativo sobre onde degustar as melhores viandas, recebemos a indicação do D. José Pinhão, a escassos metros da Praça do Pelourinho (Praça Alexandre Herculano), como sendo um restaurante de "média-alta". Esperançados de que a adjectivação não tivesse conotações de classe mas apenas de substância, aligeirámo-nos ao destino.
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O D. José Pinhão - nome de um antigo proprietário do imóvel - ocupa o piso térreo e o primeiro andar de um edifício do século dezoito. À entrada, do lado direito, em bom prenúncio, recebe-nos uma enorme pia de casa de banho em granito "escavado", datada de 1854. Nesse piso térreo deparamos com uma zona de "petiscos", balcão e mesa única em madeira robusta; e um vislumbre de cozinha asseada. A sala de refeições fica no primeiro andar e acolhe-nos com uma decoração rústica irrepreensível: uma sala alta a lembrar um celeiro, em que predomina a madeira cuidada de móveis antigos; atoalhados que prometem deleite.
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Queijinho de ovelha seco e azeitonas com ervas abriram as hostilidades, irmanados de pão regional alentejano excepcional. Não provámos a cenoura de coentrada que nos colocaram sobre a mesa, o que lamentámos a posteriori. Para arbitrar a contenda, convocou-se um Casal da Coelheira tinto (meia garrafinha, pois ainda nos restava um compromisso de 3 centenas de quilómetros com a estrada). O "quer que aqueça um pouco o vinho?" do empregado de mesa fez jus à sua apresentação impecável.
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Seguiram-se sopa de cação e carne de porco à alentejana, cada uma das doses a partilhar entre os comensais. A sopa de cação vinha um pouco espessa, mas deliciosa. Ao contrário do que costumo fazer, o pão já havia sido regado pelo caldo quando chegou à mesa em terrina de barro (mas mantinha-se íntegro, a provar a sua qualidade). A carne de porco estava apuradíssima, cortejada de batatinhas fritas em pedaços, como manda a lei.
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Para sobremesa, escolhemos uma bavarois de frutos silvestres: extraordinária. Para quem não é um indefectível amante de doces, esta palavra não será suspeita.
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O café com que se rematou o repasto era tão originalmente bom que sentimo-nos obrigados a perguntar de que marca era, pois foi servido numa chávena em desuso, rasa, e livre de tiques publicitários. Delta, afinal. Pois bem, ficaram bem justificados os vinte e oito euros e vinte cinco cêntimos. Acaso venhamos a passar por esta bela terra em horas de viandar, saberemos que aqui não vimos ao engano.
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À mesa: Liliana e Rui
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Serviço: muito bom
Ambiente e Decoração: excelente
Higiene: muito bom
Preço: muito bom
Avaliação geral: 9/10

domingo, 23 de dezembro de 2007

Um ano de coisas boas...

O Viandante comemora hoje um aninho. Por isso está feliz e agradece a todos os seus visitantes o tempo que lhe dedicaram. Apropriadamente nesta época festiva, renova o propósito de partilhar convosco muitas aventuras de estrada, os encantos da boa mesa e os afectos da convivialidade. Boas festas.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Ameijoa Chorada

Vianda
De minha lavra
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Acabei de ler uma receita de "Ameijoas à Bolhão Pato" no blogue do meu amigo Victor Reis e não resisti a fazer-lhe concorrência com uma receita caseira. Imperdíveis, modestiazinha à parte!
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Refogue-se em azeite durante três ou quatro minutos uma cebola grande picada, acompanhada de duas dúzias de pedacinhos de toucinho de corte fino e quatro dentes de alho generosos laminados. Entretanto, cortou-se em pedaços um tomate maduro, sem pele, que se junta ao refogado durante alguns minutos (também serve tomate em pedaços enlatado).
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Os dois quilos de ameijoas estagiaram previamente em água salgada durante duas horas, durante as quais se viraram e reviraram algumas vezes para perderem a areia. Escorreram-se e reservaram-se para o golpe de misericórdia final - tacho com elas!
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Regam-se com meio decilitro de vinho branco maduro, polvilham-se com pimenta preta moída no momento e ruborizam-se com uma malagueta; o sal, cabe-lhes a elas, no seu choro final (que maus somos!). Tape-se o tacho, que nos custará menos.
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Durante os cinco minutos de cozedura viraram-se as ameijoas várias vezes, preferencialmente com o tacho (alto) tapado, em movimentos volteados, bruscos. Um minuto antes de se desligar o fogo, junta-se ao pitéu um punhado de coentros picados. Mexe-se tudo uma última vez.
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Comem-se imediatamente, para que ainda lhes possamos sugar o espírito! Um vinho branco da Vidigueira fresquinho ou uma cerveja gelada servirão para a nossa absolvição.
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Tchim, tchim!
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Nota: à falta de ameijoa fresca (que tão cara está!), podemos encontrar nas grandes superfícies ameijoa de origem tailandesa, de tamanho grande, muito satisfatória. Neste caso, será necessária uma pitada de sal.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Serenidade em Hallstatt

Andarilho
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Apetece estar na Áustria, percorrer as suas paisagens belíssimas; sentimo-nos preenchidos com a percepção de que em cada montanha, em cada vale, em cada gota de água que por eles escorre está a assinatura de um qualquer ente superior - só assim se explica a serenidade que sentimos na sua contemplação. Mas não só: a intervenção do homem soube respeitar essa dádiva, enriquecendo-a até, de tal modo que a paisagem construída parece fazer parte da obra original.
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Entre muitas outras vilas e cidades, Hallstatt corporiza esta visão da Áustria, acrescentando-lhe um toque de romantismo que a torna inesquecível. A sua localização privilegiada junto ao Hallstätter See, no sopé do monte Dachstein, tornam-na um local de visita indispensável.
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Em 1998 esta região da Salzkammergut foi declarada pela Unesco Paisagem Cultural património da humanidade. Como o nome indica, o sal está ligado à origem e história desta região. Os vestígios da sua exploração remontam há mais de 4 mil anos. As minas de Salzbergwerk, nas imediações (podem ser visitadas), são as mais antigas do mundo, tendo sido inicialmente exploradas pelos Celtas; por volta do primeiro milénio antes de Cristo a exploração comercial das minas já fazia chegar o sal da região ao mar Báltico e ao Mediterrâneo.
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Mais do que o interesse histórico da região, o que fez sentirmo-nos bem em Hallstatt foi percorrer as suas ruas íngremes de casas em pedra e madeira, observar o cuidado extremo dedicado às varandas floridas, admirar a imagem da cidade reflectida nas águas calmas do lago, almoçar umas sandes e uma cerveja austríaca junto à água... Enfim, persentir a paz de que os seus habitantes devem desfrutar nos meses de inverno, ao calor de uma lareira... É bom sonhar!
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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Afsluitdijk, Holanda

Andarilho
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"Um povo que vive constrói o seu futuro"
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Inscrição no monumento que comemora o feito histórico da conclusão do Afsluitdijk (dique de fechamento), na Holanda.
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São 30 quilómetros de barro, areia, pedra e betão - alguns dos materiais usados para erguer esta obra de engenharia extraordinária. Percorrem-se com espanto: o Mar de Frísia de um lado e o IJsselmeer do outro. Concluído em 1932, com um custo final de 55 milhões de euros (montante colossal para a época), o Afsluitdijk permitiu a criação (progressiva) de um imenso lago de água doce interior - o IJsselmeer -, importantíssimo para a economia das regiões circundantes e como reserva de água potável; o controle das marés e a ausência de água salgada facilitou a conquista de mais de 150.000 hectares de terra nova - os pólteres de IJsselmeer (zonas baixas pantanosas); permitiu também elevar o nível de segurança destes e dos seus diques secundários. Para além de tudo isto, é uma construção de inegável interesse turístico.
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Percorre-se com espanto porque no deslizar seguro do automóvel intuimos um plano grandioso, bem definido, uma ambição simultaneamente desmedida e sustentada. Enfim, um projecto de nação.
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sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Le Pays de l'Ardèche Meridionale

Andarilho
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A movimentadíssima A7, que liga Marselha a Lyon, pode ser um pesadelo para quem, durante o verão, de férias ou em trabalho, se desloca para o sul ou norte da Europa. Em duas ocasiões fomos obrigados a abandoná-la por não permitir aquilo para que foi construída: o movimento célere de automóveis. Em ambas as ocasiões, a poucos quilómetros de Valence; e em ambas com um golpe de felicidade. Desta vez, saímos para leste, embrenhando-nos nas estradas tortuosas do Departamento de Ardèche. E que descoberta! Tal, que é difícil perceber o movimento louco de automóveis em direcção à Provença, quando ali, tão perto, repousa um paraíso para os sentidos - certamente desconhecido de muitos franceses.
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Da paisagem semi-Alpina, de bosques de cedros, carvalhos e castanheiros, a noroeste de Aubenas, às Gorges de L'Ardèche, a sudeste, claramente mediterrânica, o Departamento de Ardèche, na sua parte meridional, revela-se um destino de férias de eleição para quem goste do contacto com a natureza, de desportos radicais, da simplicidade nos contactos pessoais e, necessariamente, tenha uma boca exigente...
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Para tal, aconselha-se a estada num dos inúmeros parques de campismo da região, a maior parte situados à beira-rio e bem equipados. Poderia deixar outras sugestões, mas limito-me a duas, para que a descoberta seja pessoal: que se percorram as estradas menos óbvias, sem deixar de fazer a D294 (com passagem por Balazuc, uma Village de Caractère) e a extraordinária D290, entre Pont D'Arc e St Martin D'Ardèche, pelas gargantas do rio Ardèche; e que, se por mero acaso passarem por Jaujac, a leste de Aubenas, presenteiem o estômago com uma refeição no despretencioso e algo kitsch (parece um contra-senso, mas não é) Restaurant-Bar Les Loisirs (menu completo a 23 euros em Agosto de 2007).
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sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Propósito de Viandante

Coleccionar menos paisagens, menos monumentos visitados, menos fotografias tiradas; ou acrescentar-lhes mais conversas anónimas, escutadas em mercados e esplanadas, mais diálogos audazes com nativos, o cheiro de uma flor, os aromas de um prato estranho, o nome de uma árvore desconhecida...
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domingo, 15 de julho de 2007

Tremoço na Praia

Viandantes Por Cá
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Praia de Esposende, ontem, pelo fim da tarde. Depois de meia hora estendido na areia para não dizerem que não lhes fazia companhia, deixei mãe e esposa no torrador para abancar no meu local preferido à beira-mar: uma esplanada. Por companhia, um pires de tremoços e o fino da praxe. Como me tinha esquecido do jornal, ocupei o tempo valioso a afinar o olhar, que o verão passa rápido.
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À minha frente senta-se um casal belga ou holandês, de quarenta e muitos, com o seu casal de filhos belíssimos, ambos a devorar um gelado de leite. Pedem beer, servida célere na forma de dois finos que bradavam frescura. Instantes depois, à passagem do empregado de mesa, o marido, com um gesto decidido, pede that, apontando para o meu pires de tremoços. Chega ainda mais rápido que a cerveja, qual moçoilo ávido na alçada de loiras em biquini. O marido aborda o pires hesitante (afinal, o gesto decidido visava disfarçar a sua ignorância). Pega num tremoço e analisa-o com curiosidade, sob o olhar expectante da família; trinca-lhe o bico, rói timidamente a casca em redor da semente amarela... Finalmente, mete o tremoço todo à boca e mastiga-o; mas sem deixar transparecer qualquer juízo sobre o mesmo, pelo que o filho se atira ao dito, imitando a abordagem do pai; a seguir a mãe e a filha. Das suas caras não era possível discernir qualquer significado. Entretanto, o meu pires já se esvaziara: estavam frescos, mas algo amargos. Alguns minutos depois, quando estava distraído com os bronzeados ambulantes, o filho do casal vira-se para trás e estende-me o pires de tremoços, ao mesmo tempo que o pai diz:
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- We don' like it.
- It takes some time to get used to the taste, respondo-lhe.
- Yeah, just like olives. I like olives. Diz.
- Yes, that's true: olives are great!
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Recuso os tremoços simpaticamente, com um gesto de quem está cheio. O empregado torna a passar e o senhor pede um café. Servem-lhe um café curto, Buondi. Despeja um pouco de açúcar com um cuidado extremo, talvez habituado aos cubinhos. Mexe o café desajeitadamente, com a cara por cima da chávena, observando o girar do líquido com toda a atenção. Prova o café... Após um instante longo (é verdade: para quem observa, os instantes podem ser muito, muito demorados), consigo distinguir um ligeiríssimo franzir do sobrolho, inquestionavelmente aprovador. Pousa a chávena e com a colherinha dá a provar o líquido saboroso ao filho; e outra à filha. Que bom, parecem dizer.
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Uma bela tarde de praia.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

De Tyndrum a Oban, Escócia

Andarilho
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Olhar para um mapa da Escócia é um exercício ilusório. Noventa e cinco por cento das localidades assinaladas em qualquer mapa de dimensão razoável não são mais do que pequenas aldeias, muitas vezes de uma só rua. Para quem viaja de forma independente e conta com os ovos no dito da galinha, arrisca-se a ter que lidar com o imprevisto.
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Viajo com quatro amigas, de mochila às costas; sem nada marcado, com excepção das duas primeiras noites num Bed & Breakfast de Edimburgo. Daqui para a frente contamos connosco e a ajuda incansável dos funcionários dos postos de turismo. Partiramos com um esboço de trajecto e um orçamento suficiente para uma dezena de dias frugais.
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Ao terceiro dia, partimos de Edimburgo em direcção a Dalmally, uma localidade discreta entre Glasgow e Oban (uma das cidades de acesso às Highlands): alojamento marcado no dia anterior, prevendo o tempo necessário para visitar Glasgow e de acordo com os horários dos autocarros e comboios. Visitada Glasgow, partimos em direcção a Dalmally: de autocarro até Tyndrum e de comboio daqui ao local de repouso. O trajecto até Tyndrum percorre uma paisagem lindíssima, dominada pelo Loch Lomond (primeira foto), o maior lago escocês. A aldeia de Tyndrum (segunda foto) surpreende-nos. Quatro da tarde. É aqui que devemos apanhar o comboio? Onde está a estação? Ao fundo do vale? Mas hoje já não passa mais nenhum comboio? Como não passa? Mas temos alojamento marcado em Dalmally - e temos que chegar até às cinco, caso contrário a reserva fica anulada! Também não há autocarros?!
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A simpática senhora que recebe esta catadupa de perguntas esboça um sorriso compreensivo. Sugere-nos que telefonemos para o host da Craig Villa, a Guest House onde estava previsto pernoitarmos - e que o podíamos fazer do pequeno posto de informações de Tyndrum, ao fundo da rua. Não temos escolha. Aqui, informam-nos que a única alternativa é procurar o Mr Cunningham, um senhor que presta serviços de transporte escolar. A sua casa fica na outra ponta da rua, de onde tínhamos acabado de vir. As mochilas já pesam, depois de um dia de andanças. Batemos à porta; atende-nos a esposa. O Sr. Cunningham não está; e não costuma fazer transporte de pessoas nesta altura do ano... Insisti, explicando detalhadamente a nossa desventura, ao que a senhora prestou-se a telefonar ao marido. Enquanto esperamos, rimo-nos da situação e antecipamos a noite dormida num qualquer coberto de Tyndrum. Boas notícias: o senhor Cunningham estará ali em meia hora. Regresso ao posto de informações para telefonar finalmente para a Guest House, avisando do nosso atraso.
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O senhor Adam Cunningham tem uma pronúncia incompreensível, rasgada, carcomida: "itch tun y fro?", foi uma das questões que teve de repetir uma mão cheia de vezes, antes que compreendêssemos que nos perguntava de que cidade éramos!!! Sento-me ao lado dele e tenho as despesas da conversa: obrigações de cavalheiro e curiosidade de viandante. O senhor Cunningham é de uma simpatia rude, de homem das montanhas. Tivemos muita sorte, pois calhou estar por perto. Só costuma transportar as crianças de Tyndrum e arredores para a escola, especialmente nos meses de inverno, em que as estradas são muito difíceis e não há serviços de autocarro nos percursos secundários. Mas também tivemos azar, pois visitávamos a Escócia "no verão mais molhado dos últimos cem anos", disse-nos, supostamente veiculando uma qualquer notícia ouvida num noticiário local. Não se calou um minuto durante os cerca de 15 quilómetros do trajecto, falando-nos da história local e aconselhando-nos a visitar alguns monumentos nas cercanias (entre outros que já se esconderam nos meandros da memória, o Kilchurn Castle, perto de Dalmally).
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A despesa deste serviço de transporte personalizado ultrapassou em muito pouco o que pagaríamos pelos cinco bilhetes de comboio, pelo que convenci as minhas amigas a "contratá-lo" para a viagem do dia seguinte até Oban, ao que o senhor Cunninham acedeu amigavelmente. E assim, após uma noite bem dormida na enormíssima Dalmally (terceira foto), prestámo-nos a mais uma lição de história e simpatia até Oban (quarta e última fotos; nesta, a carrinha do Mr Adam Cunningham sob a persistente chuva escocesa).
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