quarta-feira, 16 de maio de 2007

África Acima

As Viagens dos Outros
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"A península do Cabo da Boa Esperança (...). Aqui teve origem Portugal, penso. Não aquele dos portugueses, mas o país do resto do mundo. Se não fora por este Adamastor por fim domado, o que nos faria aparecer no percurso comum da humanidade? Que espaço nos seria dedicado na enciclopédia? Quantas linhas, que assunto, nos livros de história? Uma nota de pé de página sobre a pesca do bacalhau?"
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Este é um dos parágrafos iniciais de África Acima, o novo livro do viandante Gonçalo Cadilhe, que aconselho vivamente. Confesso que gostava de ter tido a coragem do Gonçalo - a de enveredar por um estilo de vida desprendido de lugares comuns e ao mesmo tempo dedicado a uma causa: a construção de um planisfério pessoal (nome do seu primeiro livro). Sempre quis ser escritor de viagens, mas algures num qualquer cruzamento da minha vida terei confundido o caminho a seguir. Paciência. Resta-me ler sobre as andanças dos outros e escrever estes humildes relatos no Viandante. Nada mau.
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África Acima é uma colecção de crónicas publicadas no semanário Expresso sobre a sua travessia de oito meses do continente africano, num percurso sul-norte. Está redigido numa linguagem simples e directa, a espaços extremamente inteligente; o registo de diálogos e a observação de pormenores é surpreendente. Façam o favor de ler.
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Gonçalo Cadilhe, África Acima, Oficina do Livro, 2007. Citação da página 16. Imagem: marcador de livros da edição.
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domingo, 13 de maio de 2007

Uma Viagem com Gatos

As Viagens dos Outros
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Acabei de ler um texto lindíssimo (o quinto de uma série) sobre uma expedição a Marrocos. Com gatos, burros, dromedários, formigas e sapos. A personagem principal desta narrativa de viagem é o meu animal preferido (e sagrado para os muçulmanos): o gato. Vale a pena lê-la, aqui, no blogue da Fátima Mariano. O gatinho cinzento é meu! Já o adoptámos cá em casa.
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segunda-feira, 7 de maio de 2007

Península de Morrazo, Galiza

Andarilho
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Muito perto do norte de Portugal encontra-se um dos segredos mais bem guardados da Galiza: a Península de Morrazo, a norte de Vigo. A palavra segredo será um exagero, mas a proximidade a esta cidade, Pontevedra e Sanxenxo faz com que seja relegada para segundo plano nos percursos de viagem de muitos viandantes. E ainda bem, cá para nós. Dois locais deverão merecer a vossa atenção: o parque de Campismo Aldán, na vila homónima, e o fantástico Cabo de Home.
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O Camping Aldán é um parque bem equipado, com muitas árvores frondosas e amplas áreas relvadas. O seu maior trunfo é a sua localização, a cerca de 500 metros da Playa de Francón, através de um caminho íngreme e com vistas lindíssimas sobre a baía, e a menos de um quilómetro de Aldán. Duas a três vezes por ano passamos aqui um fim-de-semana, geralmente em Junho, em que a ocupação do parque é pouco intensa e o sossego impera. A pequena Playa de Francón é bastante frequentada, sendo difícil encontrar um lugar para estender a toalha a meio da tarde; tal deve-se ao facto de se situar ao pé de outro parque de campismo (sempre cheio e menos aconselhável) e à sua localização privilegiada, num recanto da Ria de Aldán. Mas o mais agradável para mim é poder saborear uma cerveja fresca no bar tosco em estilo tropical que existe sobre a praia, com vistas magníficas e o ruído de fundo dos banhistas e das ondas a desfazerem-se no areal.
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O Cabo de Home (na foto, em baixo), a poucos quilómetros de Aldán, é uma área protegida, de acesso restrito: os caminhos que o percorrem não são alcatroados e algo difíceis de fazer; parte do percurso é dramático, feito sobre as falésias. A pé, de bicicleta ou de automóvel, é um passeio memorável. A sua maior atracção é a Playa de Melide (visível na foto), em frente à baía de Vigo e às Islas Cíes - um verdadeiro paraíso para quem aprecie a natureza em estado quase puro. Está rodeada de pinhais limpíssimos, que, graças às suas sombras abundantes e brisa constante, convidam a uma boa soneca a meio da tarde. O seu maior encanto é que, até ao meio-dia, arriscamo-nos a ser os únicos banhistas em toda a praia e área circundante, pois os hábitos noctívagos dos nossos vizinhos retêm-nos em casa até essa hora. É obrigatório levar-se pic-nic, pois o pequeno bar que existe na praia pouco mais serve que sandes e uma cervejinha fresca.
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É um daqueles poucos segredos que merece ser partilhado.
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quinta-feira, 3 de maio de 2007

Este Fulgor Baço da Terra

"Este Fulgor Baço da Terra", verso do último poema da Mensagem de Fernando Pessoa, dá o nome ao blogue que conclui o processo de "redefinição editorial" dos meus textos, de natureza muito díspar. Os posts editados no Viandante até à data ficarão em arquivo neste mesmo blogue.
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Assim:
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Este Fulgor Baço da Terra será um espaço de exercício da cidadania: apontamentos sobre quase nada e tudo menos qualquer coisinha.
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O a.p.o.n.t.a.m.e.n.t.o.s pretende ser uma espécie de bloco de notas: aqui se registarão apenas coisas boas.
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Viagens com açúcar será um repositório de histórias sobre o coleccionismo de pacotes de açúcar e um espaço de divulgação de objectos de colecção.
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A partir de hoje, finalmente, o Viandante acolherá exclusivamente textos sobre viagens, viandas e afins.
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Obrigado pela vossa atenção. Boas leituras e, se o desejarem, ainda melhores comentários!
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sexta-feira, 27 de abril de 2007

Viagens com Açúcar

Também já nasceu o Viagens com Açúcar, um blogue dedicado ao mundo do coleccionismo de pacotes de açúcar - mas com a ambição de agradar também a todos os que por lá passem e sejam leigos neste passatempo. Espero que gostem.
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quarta-feira, 25 de abril de 2007

a.p.o.n.t.a.m.e.n.t.o.s

Caros leitores:
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Tal como indiquei no post anterior, passarei a publicar neste blogue apenas notas de viagem ou textos com ela relacionados.
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Paralelamente, pretendo criar mais três blogues, cada um deles com objectivos específicos. O primeiro deles já deu o pontapé de saída: chama-se a.p.o.n.t.a.m.e.n.t.o.s e será um espaço de breves reflexões ou registos de conversas, assuntos ou momentos que valha a pena recordar.
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Os quatro blogues estarão acessíveis a partir da barra lateral de cada um deles. A periodicidade de publicação de novos textos variará, mas pretendo editar pelo menos um post por dia em qualquer um dos blogues.
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Grato pela visita e espero que gostem dos meus novos espaços.
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quinta-feira, 19 de abril de 2007

Time-out

Caros leitores:
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Durante os próximos dias não publicarei qualquer texto neste espaço.
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O Viandante será objecto de "edição"a breve trecho : passará a ser apenas um espaço de notas de viagem.
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Paralelamente, criarei mais dois ou três blogues "irmãos", dos quais vos darei notícias em breve.
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Obrigado pela vossa visita.
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segunda-feira, 16 de abril de 2007

Zé Povinho

Cartoonices
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- Nós, as lagartas, estamos mesmo no fim da cadeia alimentar.
- Eu sei...
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- Ouvi dizer que a tua mãe foi comida por um lagarto... as minhas condolências.
- A sério?
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- Pelos vistos, também estamos no fim da cadeia de informação.
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Fonte: Hello, 30-04-1994

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Mentiras (I)

Palavra Esparsa
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"O valor das pensões dos funcionários públicos é, em média, quase três vezes maior que o dos reformados do sector privado, apurou o Diário Económico.
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Enquanto a pensão média no regime geral da Segurança Social é de 370 euros, a da Caixa Geral de Aposentações (CGA) era, segundo dados de 2005, os mais recentes disponíveis, de 1.105 euros."
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É MENTIRA!
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Esta notícia (excerto retirado do Diário Económico online) foi veiculada por vários órgãos de comunicação social. E só pode ter sido veiculada por pelo menos uma de três razões: incompetência jornalística, por não analisar os factores que determinam essa diferença; tentativa de manipulação da opinião pública por parte dos órgãos de comunicação social que a divulgaram, sabe-se lá com que intenção; ou tentativa de manipulação da opinião pública por parte do governo com a conivência (consciente ou não) dos órgãos de comunicação social.
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E o que é mentira não são os números. Esses deverão estar correctos. A falácia prende-se com a omissão das razões que levam à existência desse diferencial entre as pensões de reforma dos funcionários públicos e as do regime geral da Segurança Social.
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O que se pretende (ou se diz por incompetência, para ser benévolo) com uma notícia destas é dizer que os funcionários públicos são beneficiados. Quando a verdade é que a maior parte dos seus quadros são licenciados: professores, médicos, enfermeiros, juizes... E numa proporção que deve ser bem mais do que 3 vezes superior à de licenciados no regime geral, onde a fuga ao fisco e às contribuições para a Segurança Social são o que todos conhecemos. E isto sim, mereceria um estudo honesto.
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Isto é manipulação pura! Por favor, expressem a vossa indignação!
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quarta-feira, 11 de abril de 2007

Uuuuuuuuuuuuuuuu!

Palavra Esparsa
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A minha amiga Cláudia Espassandim reenviou-me hoje um e-mail sobre a presença da Ministra da Educação num corta-mato escolar em Santa Maria da Feira, a 10 de Março (mesmo já tendo passado um mês sobre o episódio infeliz e sido o mesmo já divulgado noutros blogues, que acabei de consultar via google, nunca é tarde para chamar a atenção para este tipo de situações). A reacção de Maria de Lurdes Rodrigues perante os apupos dos alunos presentes na altura da sua intervenção está documentada neste vídeo disponível no YouTube.
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Será porventura muito desagradável ser-se apupado nestas circunstâncias, Sra. Ministra da Educação. Mas mesmo que os referidos alunos tenham reagido daquele modo por influência de terceiros, a sua reacção não deixa de ser eloquente de um modo de fazer política.
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