domingo, 25 de março de 2007

Pecados Íntimos, de Todd Field

Palavra Esparsa
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O que é um bom filme? Pergunta difícil; muitas respostas possíveis. Mas acredito que uma película capaz de convocar os nossos sentidos, a nossa razão e múltiplas emoções ao ponto de nos "enervar", de nos deixar incomodados, é necessariamente um bom filme. Little Children (Pecados Íntimos) é um filme excelente.
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Feito Notável do Râguebi Nacional

Palavra Esparsa
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O Portugal-Bélgica de ontem fez-me esquecer o feito notável que tinha acabado de presenciar meia hora antes. Penitencio-me pelo facto - que terá também passado despercebido à maioria por ser transmitido em canal codificado. A selecção de râguebi de Portugal apurou-se para o Mundial da modalidade num jogo heróico realizado no Uruguai. Quem viu o jogo só pode estar orgulhoso da raça colocada em campo. Por que é notável? Porque é a primeira vez que uma selecção amadora consegue tal desiderato. Amadora - homens comuns, que trabalham para ganhar a vida (com excepção de dois ou 3 jogadores, que são profissionais em equipas estrangeiras) ou são estudantes. Um feito notável, dos maiores do Portugal desportivo dos últimos anos.
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sábado, 24 de março de 2007

Temos Selecção

Palavra Esparsa
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Tenho confidenciado com os meus amigos amantes da bola que temos selecção para limpar o título mundial daqui a pouco mais de três anos (e quem sabe o Europeu!), haja uma pontinha de sorte. O tempo necessário para o amadurecimento psicológico de alguns jogadores e o estabelecimento das rotinas necessárias ao verdadeiro jogo de equipa. Faltar-nos-á um defesa esquerdo de raiz e um matador, sem desprimor para o Paulo Ferreira ou para o Nuno Gomes. Veja-se: o Ricardo está como o Vinho do Porto e o Quim é um suplente de luxo; o Miguel será um dos três melhores defesas laterais do mundo; os dois centrais jogam juntos há anos e o Fernando Meira provou no mundial da Alemanha estar à altura da posição; o Petit é grande; o João Moutinho vai ser ainda melhor que o Maniche; o Tiago terá que ganhar confiança e um pouco mais de velocidade; o Deco, a continuar lento como no mundial passado, até poderá ficar no banco - que luxo!; e depois, que selecção do mundo se pode gabar de ter 4 pontas como o Cristiano Ronaldo, o Quaresma, o Nani e o Simão? O Hugo Almeida ainda nos vai ajudar.
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Esperemos que o Sargentão queira ficar até lá. Duvido que não queira, com esta matéria prima. Caso contrário, também não nos faltam bons treinadores.
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A eles!
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All-to Minho

Palavra Esparsa
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Excelentíssimo Sr. Ministro da Economia,
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Venho por este meio sugerir-lhe a corrupção de mais um topónimo para promoção de uma das mais belas regiões de Portugal (se não a mais bella):
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All-to Minho
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Se achar de interesse, tenha a bondade de me contactar para determinação dos meus royalties. Para que conste, salvarguadarei sempre a minha não responsabilidade por uma eventual massificação do turismo na referida região.
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Com os melhores cumprimentos,
Viandante
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Nota: carta inspirada num post do Pedro Correia, no Corta-fitas.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Estudar em Vannes, Bretanha

Andarilho
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A Bretanha assombra o meu imaginário desde a minha adolescência. Mais cedo ou mais tarde, teria que lá dar um saltinho. Talvez fosse a origem celta do povo bretão que tenha ajudado a construir este sentimento de comunhão que me acompanha há pelo menos duas décadas e meia; e que já me levou à Escócia, à Irlanda e ao País de Gales; e que em última instância me trouxe para o Alto Minho. Por outro lado, talvez seja, afinal, apenas um impulso carnal: o apelo ao vislumbre de um par de olhos azuis provocadores, assertivos, numa tez corada. Talvez.
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O facto é que só há três meses atrás realizei esse desejo. Em finais do outono, pelo que os postais que aqui vêem estão muito para além da atmosfera húmida e sombria com que me recebeu a cidade de Vannes. O que, aliás, seria de esperar. Mas das pessoas não tive surpresas: de uma afabilidade extrema, orgulhosas das suas raízes, apaixonadas pelo mar. Simples, como eu gosto.
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A oportunidade de aqui vir surgiu por mero acaso: uma colega de escola candidatou-se a uma Visita Preparatória para delinear e desenvolver um projecto escolar (Programa Comenius) no âmbito do ensino das línguas estrangeiras e do uso das novas tecnologias. Por motivos inesperados, acabou por não poder ir e convidou-me para a substituir. Ora nem mais: ala que se faz tarde!
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Foi uma experiência inesquecível! Pela qual todos os agentes da educação deveriam passar: ter a oportunidade de contactar com outras realidades e práticas educativas; comparar, relativizar, valorizar o que temos de bom e questionar o que está mal.
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Em resumo (numa comparação necessariamente limitada, pois há multiplas realidades em ambos os países), o que temos de bom: uma relação profissional muito mais informal, próxima, menos protocolar; maior liberdade na implementação do nosso trabalho. Só. E o café da manhã.
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O que está menos bem: inexistência de uma cultura escolar de esforço e de mérito; não valorização de áreas vocacionais ou de interesse dos jovens; pouca responsabilização e fraca promoção da autonomia dos alunos; pouca articulação do trabalho entre professores das mesmas áreas curriculares...Ahhh! Quase me esquecia: para um docente com 12-15 anos de serviço, uma diferença salarial mensal que pode chegar aos 700-800 euros. A menos, claro. Só!
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De Vannes, retive a beleza das casas históricas em madeira, a imponência dos tanques públicos junto às muralhas do castelo, o travo da cidra na Crêperie Dan Ewen, a promessa das águas do Golfe de Morbihan, a amabilidade das pessoas... E, claro, mais importante ainda, os momentos fantásticos que passei com a Anne, a Esther e a Annick (na foto, com o je e o Mr Thomas, o Director do Collège St François Xavier) e que, seja o projecto aprovado, terei a felicidade de encontrar novamente:
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Acaso passem por esta bela cidade bretã e disponham de um orçamento modesto, devem colocar como hipótese a estada no Hôtel Le Bretagne, gerido por um casal jovem e extremamente simpático. Decoração e mobiliário antiquado, mas acolhedor.
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quarta-feira, 21 de março de 2007

Sentinela

Instantes
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Fevereiro de 2004

Meixide, Montalegre

segunda-feira, 19 de março de 2007

O Benfica de Fernando Santos

Palavra Esparsa
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Correndo o risco de enfadar mais alguns dos meu eventuais leitores, volto ao maravilhoso mundo da redondinha. E mais uma vez para defender o tão discutido treinador do Glorioso: o engenheiro Fernando Santos.
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Como já afirmei num comentário anterior, o mister do Benfica não será o melhor treinador do mundo. Mas é um bom homem, seja o que isso for. Transmite confiança; é daquelas pessoas a quem compraríamos um carro em segunda mão. E prefiro um treinador bom e respeitável a um muito bom e enjoativo. Para além disso, constato (muitos discordarão, obviamente) que está a construir uma equipa como há muitos anos não via para os lados da Catedral: uma equipa coesa, pressionante, solidária; e amiúde com um futebol absolutamente convincente. Amiúde, também, parece perder o desnorte: mas isso deve-se mais à fraca qualidade de alguns dos seus executantes (o Anderson, por exemplo) do que ao esquema de jogo ou às intervenções do treinador (também creio que não está muito bem secundado no banco).
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No jogo de hoje na Reboleira o Benfica foi uma equipa no verdadeiro sentido do termo: sabia ao que ía e foi paciente para o conseguir; foi, sobretudo, solidária. O Benfica está no bom caminho, mesmo que não ganhe o título nacional. É este o grande desafio para os clubes portugueses: o de terem projectos a médio/ longo prazo, com pessoas credíveis. Mas se o vier a conseguir - ser campeão, que não restem dúvidas: será mérito do seu treinador, em primeiríssimo lugar. Tomem-se como dados para esta opinião: o banco fraquinho da equipa; as vozes contrárias à sua contratação desde o dia do seu anúncio; a péssima gestão directiva nos processos de venda e cedência de jogadores; o "peso" de ser um treinador benfiquista; as lesões de jogadores-chave...
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Não nos falte um pouco de sorte, talvez um dos maiores defeitos do engenheiro.
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sábado, 17 de março de 2007

Arrozinho de Bróculos

Vianda
De minha Lavra
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Simples e delicioso.
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Façamos um estrugido com alguma cebola picada em pouco azeite, até que aquela fique translúcida. Junte-se-lhe, só então, uma meia dúzia de alhos picados (mexa-se apenas para que o azeite roube o sabor ao alho). Acrescentamos de imediato um pouco de água e deixamos ficar três ou quatro minutos a apurar, após o que se junta a restante água para a cozedura do arroz (na proporção de 1 deste para 1 1/2 daquela). Quando o líquido começar a ferver, junte-se-lhe o arroz Basmati e sal que baste. Durante os primeiros 2 minutos deve cozer em lume forte, após o que se reduz para intensidade média. Quando a água começar a desaparecer (pelo 6º ou 7º minuto), juntam-se os raminhos de bróculos (previamente lavados durante alguns minutos em água com umas gotas de vinagre) e um punhadinho de pedacinhos de bacon ou salsicha de presunto. Ao décimo minuto desliga-se o lume, que já estava brandinho. Revire-se o arroz uma última vez. Os bróculos acabarão por cozer no tacho, que deverá ficar destapado e coberto com um pano de cozinha.
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Casa muito bem com picanha, alheira transmontana (de Mirandela, se for artesanal; da Casa Marinel, em Lalim, Lamego, se for industrial) ou panadinhos de porco. E um bom vinho, claro.
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Bom proveito!

quinta-feira, 15 de março de 2007

"Mesada para incentivar jovens a estudar varia consoante região"

Pérola Negra
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Roubei o título deste post a um artigo do Jornal de Notícias de hoje, sobre decisão do Governo. A pérola não é do Jornal de Notícias, obviamente. Nem sobre a diferenciação da mesada, claro (embora, porventura, também merecesse uns mimos).
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Independentemente das justificações que se possam dar, está de rastos o país que paga aos seus jovens para estudar. É a negação da cultura do esforço, do brio, da perseverança, da ambição. É a negação do futuro de uma nação.
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E o mais engraçado (e quem conhece o meio, sabe que isto é uma verdade inegável) é que estes jovens fazem tudo menos estudar. Com a louvável excepção dos poucos que frequentam as escassas escolas profissionais de qualidade, os restantes estão apenas a fazer número. O que não importa, pois é isso que se quer.
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terça-feira, 13 de março de 2007

A Primavera Faz Bem

Palavra Esparsa
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Quatro borboletas esbranquiçadas a entrecruzarem-se no ar quente da tarde.
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Duas magnólias vestidas de cor-de-rosa a fazer sombra sobre o rio.
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Vários pares de namorados de mãos dadas, sentados em bancos de jardim ou sob a sombra de uma árvore. Os livros nas mochilas.
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Um jovem casal em calções a pedalar junto ao rio, empurrados por uma brisa saborosa.
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Dois patos chapinham.
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Caminho com todos os sentidos despertos, agradado, expectante.
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