sábado, 24 de março de 2007

All-to Minho

Palavra Esparsa
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Excelentíssimo Sr. Ministro da Economia,
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Venho por este meio sugerir-lhe a corrupção de mais um topónimo para promoção de uma das mais belas regiões de Portugal (se não a mais bella):
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All-to Minho
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Se achar de interesse, tenha a bondade de me contactar para determinação dos meus royalties. Para que conste, salvarguadarei sempre a minha não responsabilidade por uma eventual massificação do turismo na referida região.
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Com os melhores cumprimentos,
Viandante
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Nota: carta inspirada num post do Pedro Correia, no Corta-fitas.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Estudar em Vannes, Bretanha

Andarilho
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A Bretanha assombra o meu imaginário desde a minha adolescência. Mais cedo ou mais tarde, teria que lá dar um saltinho. Talvez fosse a origem celta do povo bretão que tenha ajudado a construir este sentimento de comunhão que me acompanha há pelo menos duas décadas e meia; e que já me levou à Escócia, à Irlanda e ao País de Gales; e que em última instância me trouxe para o Alto Minho. Por outro lado, talvez seja, afinal, apenas um impulso carnal: o apelo ao vislumbre de um par de olhos azuis provocadores, assertivos, numa tez corada. Talvez.
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O facto é que só há três meses atrás realizei esse desejo. Em finais do outono, pelo que os postais que aqui vêem estão muito para além da atmosfera húmida e sombria com que me recebeu a cidade de Vannes. O que, aliás, seria de esperar. Mas das pessoas não tive surpresas: de uma afabilidade extrema, orgulhosas das suas raízes, apaixonadas pelo mar. Simples, como eu gosto.
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A oportunidade de aqui vir surgiu por mero acaso: uma colega de escola candidatou-se a uma Visita Preparatória para delinear e desenvolver um projecto escolar (Programa Comenius) no âmbito do ensino das línguas estrangeiras e do uso das novas tecnologias. Por motivos inesperados, acabou por não poder ir e convidou-me para a substituir. Ora nem mais: ala que se faz tarde!
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Foi uma experiência inesquecível! Pela qual todos os agentes da educação deveriam passar: ter a oportunidade de contactar com outras realidades e práticas educativas; comparar, relativizar, valorizar o que temos de bom e questionar o que está mal.
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Em resumo (numa comparação necessariamente limitada, pois há multiplas realidades em ambos os países), o que temos de bom: uma relação profissional muito mais informal, próxima, menos protocolar; maior liberdade na implementação do nosso trabalho. Só. E o café da manhã.
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O que está menos bem: inexistência de uma cultura escolar de esforço e de mérito; não valorização de áreas vocacionais ou de interesse dos jovens; pouca responsabilização e fraca promoção da autonomia dos alunos; pouca articulação do trabalho entre professores das mesmas áreas curriculares...Ahhh! Quase me esquecia: para um docente com 12-15 anos de serviço, uma diferença salarial mensal que pode chegar aos 700-800 euros. A menos, claro. Só!
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De Vannes, retive a beleza das casas históricas em madeira, a imponência dos tanques públicos junto às muralhas do castelo, o travo da cidra na Crêperie Dan Ewen, a promessa das águas do Golfe de Morbihan, a amabilidade das pessoas... E, claro, mais importante ainda, os momentos fantásticos que passei com a Anne, a Esther e a Annick (na foto, com o je e o Mr Thomas, o Director do Collège St François Xavier) e que, seja o projecto aprovado, terei a felicidade de encontrar novamente:
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Acaso passem por esta bela cidade bretã e disponham de um orçamento modesto, devem colocar como hipótese a estada no Hôtel Le Bretagne, gerido por um casal jovem e extremamente simpático. Decoração e mobiliário antiquado, mas acolhedor.
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quarta-feira, 21 de março de 2007

Sentinela

Instantes
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Fevereiro de 2004

Meixide, Montalegre

segunda-feira, 19 de março de 2007

O Benfica de Fernando Santos

Palavra Esparsa
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Correndo o risco de enfadar mais alguns dos meu eventuais leitores, volto ao maravilhoso mundo da redondinha. E mais uma vez para defender o tão discutido treinador do Glorioso: o engenheiro Fernando Santos.
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Como já afirmei num comentário anterior, o mister do Benfica não será o melhor treinador do mundo. Mas é um bom homem, seja o que isso for. Transmite confiança; é daquelas pessoas a quem compraríamos um carro em segunda mão. E prefiro um treinador bom e respeitável a um muito bom e enjoativo. Para além disso, constato (muitos discordarão, obviamente) que está a construir uma equipa como há muitos anos não via para os lados da Catedral: uma equipa coesa, pressionante, solidária; e amiúde com um futebol absolutamente convincente. Amiúde, também, parece perder o desnorte: mas isso deve-se mais à fraca qualidade de alguns dos seus executantes (o Anderson, por exemplo) do que ao esquema de jogo ou às intervenções do treinador (também creio que não está muito bem secundado no banco).
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No jogo de hoje na Reboleira o Benfica foi uma equipa no verdadeiro sentido do termo: sabia ao que ía e foi paciente para o conseguir; foi, sobretudo, solidária. O Benfica está no bom caminho, mesmo que não ganhe o título nacional. É este o grande desafio para os clubes portugueses: o de terem projectos a médio/ longo prazo, com pessoas credíveis. Mas se o vier a conseguir - ser campeão, que não restem dúvidas: será mérito do seu treinador, em primeiríssimo lugar. Tomem-se como dados para esta opinião: o banco fraquinho da equipa; as vozes contrárias à sua contratação desde o dia do seu anúncio; a péssima gestão directiva nos processos de venda e cedência de jogadores; o "peso" de ser um treinador benfiquista; as lesões de jogadores-chave...
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Não nos falte um pouco de sorte, talvez um dos maiores defeitos do engenheiro.
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sábado, 17 de março de 2007

Arrozinho de Bróculos

Vianda
De minha Lavra
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Simples e delicioso.
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Façamos um estrugido com alguma cebola picada em pouco azeite, até que aquela fique translúcida. Junte-se-lhe, só então, uma meia dúzia de alhos picados (mexa-se apenas para que o azeite roube o sabor ao alho). Acrescentamos de imediato um pouco de água e deixamos ficar três ou quatro minutos a apurar, após o que se junta a restante água para a cozedura do arroz (na proporção de 1 deste para 1 1/2 daquela). Quando o líquido começar a ferver, junte-se-lhe o arroz Basmati e sal que baste. Durante os primeiros 2 minutos deve cozer em lume forte, após o que se reduz para intensidade média. Quando a água começar a desaparecer (pelo 6º ou 7º minuto), juntam-se os raminhos de bróculos (previamente lavados durante alguns minutos em água com umas gotas de vinagre) e um punhadinho de pedacinhos de bacon ou salsicha de presunto. Ao décimo minuto desliga-se o lume, que já estava brandinho. Revire-se o arroz uma última vez. Os bróculos acabarão por cozer no tacho, que deverá ficar destapado e coberto com um pano de cozinha.
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Casa muito bem com picanha, alheira transmontana (de Mirandela, se for artesanal; da Casa Marinel, em Lalim, Lamego, se for industrial) ou panadinhos de porco. E um bom vinho, claro.
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Bom proveito!

quinta-feira, 15 de março de 2007

"Mesada para incentivar jovens a estudar varia consoante região"

Pérola Negra
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Roubei o título deste post a um artigo do Jornal de Notícias de hoje, sobre decisão do Governo. A pérola não é do Jornal de Notícias, obviamente. Nem sobre a diferenciação da mesada, claro (embora, porventura, também merecesse uns mimos).
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Independentemente das justificações que se possam dar, está de rastos o país que paga aos seus jovens para estudar. É a negação da cultura do esforço, do brio, da perseverança, da ambição. É a negação do futuro de uma nação.
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E o mais engraçado (e quem conhece o meio, sabe que isto é uma verdade inegável) é que estes jovens fazem tudo menos estudar. Com a louvável excepção dos poucos que frequentam as escassas escolas profissionais de qualidade, os restantes estão apenas a fazer número. O que não importa, pois é isso que se quer.
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terça-feira, 13 de março de 2007

A Primavera Faz Bem

Palavra Esparsa
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Quatro borboletas esbranquiçadas a entrecruzarem-se no ar quente da tarde.
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Duas magnólias vestidas de cor-de-rosa a fazer sombra sobre o rio.
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Vários pares de namorados de mãos dadas, sentados em bancos de jardim ou sob a sombra de uma árvore. Os livros nas mochilas.
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Um jovem casal em calções a pedalar junto ao rio, empurrados por uma brisa saborosa.
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Dois patos chapinham.
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Caminho com todos os sentidos despertos, agradado, expectante.
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segunda-feira, 12 de março de 2007

Monstro Descarado

Palavra Esparsa
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O tempo estival que se fez sentir este fim-de-semana deu-me vontade de dar uma estafa ao Honda. Apeteceu-me devorar quilómetros e acampar num qualquer parque dos Picos da Europa ou da Catalunha. Infelizmente, Agosto ainda vem longe e até lá o orçamento familiar não deve dar para desvarios, mesmo que relativamente humildes. Alguém me anda a roer o fundo dos bolsos das calças. Tenho suspeitas de quem seja o monstro descarado. Deve ser o mesmo do costume.
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domingo, 11 de março de 2007

Javali no Restaurante Polo Norte

Histórias do Açúcar
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Este relato também poderia surgir-vos na rubrica Aqui Bem Se Come! Mas como com muitas outras coisas da vida, há que fazer opções. Pode acontecer que, sendo uma história com açúcar, vos pareça mais docinha.
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O restaurante Polo Norte tem as portas abertas aos amantes da boa mesa na vila de Britiande, concelho de Lamego (N 226, direcção Tarouca). Estive aqui na primeira de duas vezes, creio, em 1995, num jantar anual de amigos. Amigos lamecenses de adolescência que, por acaso ou não, se hospedaram por períodos de tempo variáveis na famigerada casa da D. Júlia, cita na Rua da Torrinha, no Porto, para frequentarem os respectivos cursos universitários (estive lá apenas dois ou três meses, mas o suficiente para poder pertencer ao clube). Estando todos a finalizar os seus cursos ou já os tendo terminado, decidimos realizar um jantar convívio anual para recordar as nossas aventuras e desventuras. Realizou-se durante três anos, até que as girandanças (o dicionário diz-me que a palavra não existe, mas gosto dela) de cada um tornaram difícil este momento de convívio.
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Fomos pelo javali, pois claro. Uma das especialidades da casa. Para dizer a verdade, não me recordo como estava. Mas só podia estar divinal, tão bem regado foi - disso sim, recordo-me. Desse jantar guardo ainda hoje este pacote de açúcar:
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Para os leigos neste maravilhoso mundo dos pacotes de açúcar, este poderá parecer um exemplar normalíssimo, pouco apelativo até. Acontece que, em Portugal, ao contrário do que sucede na vizinha Espanha (onde, por coincidência, este pacote foi embalado), é pouco comum existirem pacotes de açúcar "personalizados" (isto é: com o nome do respectivo estabelecimento, negócio...). E da década de 90 haverá mesmo muito poucos.
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Na altura, apenas "juntava" pacotes, que ia guardando numa caixa de sapatos. Caixa esta que, quinze ou dezasseis anos depois de ter começado a acolher pacotinhos de açúcar cheios, e após um abandono de quase uma década, regressou às minhas mãos há dois anos atrás vinda de casa da minha mãe. Momento em que decidi passar de ajuntador esporádico a coleccionador feroz.
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Ora, foi precisamente este pacote de açúcar que me fez voltar ao Polo Norte com a minha mãe e esposa na primavera do ano passado. Queria obter alguns para troca, caso ainda o tivessem.
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Excelente desculpa para me atirar de novo ao javali! Como resultado, este dado consabido: o palato também tem memória. O estufado só podia ter sido abençoado; ou o javardo; ou as plantas e outras criaturas de que se alimentou. Ou, mais provável, tudo isto e a fominha que trazíamos.
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Pacotes é que nem vê-los, infelizmente. Acabaram-se por volta de 1997. O cafezinho do Polo Norte é agora adoçado por saquetas correntes de marca Delta. Mas não me posso queixar. Tenho-o na minha colecção. E é um pacote muito difícil. Mas não menos importante, fiquei a saber que o Polo Norte ainda abre as portas aos apreciadores da boa mesa e, assassinos abençoados, ao saboroso porco-bravo:
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quinta-feira, 8 de março de 2007

As Nossas Escolhas

Lido e Relido
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"São as nossas escolhas que mostram o que nós somos verdadeiramente, muito mais do que as nossas capacidades."
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J. K. Rowling
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Citada em "O que Disseram", Público, 08/03/2007
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Uma frase simples; uma ideia evidente. Mas que, suspeito, me vai dar que pensar nos próximos tempos.
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