sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Distâncias

Cartoonices
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"Querido Andy: Como tens passado? Eu e a tua mãe estamos bem. Sentimos a tua falta. Por favor, desliga o computador e desce para comer qualquer coisa. Com amor, o teu pai."
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Fonte desconhecida.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Beijos

Pérola Negra

Quando se encontram pessoas do "não", dão um beijinho; as pessoas do "sim" dão dois.
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Zita Seabra
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Citada in Diz-se, O Público, 01/02/2007
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Yours Disappointedly (Volkswagen)

Isto é Publicidade!
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in Daily Express, 26/01/1996

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Estuário do Severn

Andarilho
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Algumas pessoas diriam que este tipo de paisagem não se enquadra nos seus parâmetros de beleza. A minha mãe seria mais peremptória: que feio!, filho. A ausência de verde e a desolação do horizonte facilmente incutirão alguma tristeza no observador. Puro engano, caros leitores. Esta paisagem enlameada e estéril é sublime.
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Estamos perante o cenário da maré baixa no estuário do Severn (maior rio britânico, com 354 quilómetros de extensão), canal de Bristol, Inglaterra, onde a amplitude das marés chega a atingir os 13 metros - só ultrapassada, em todo o mundo, pelas da Baía de Fundy e de Ungava, no Canadá.
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Tirei estas fotografias em Weston-Super-Mare, em Março de 1993. Alguns espíritos trocistas referem-se a esta estância balnear do norte de Somerset por Weston-Super-Mud, tal é a quantidade de lama com que deparamos. Lama esta que, de profunda, já tirou a vida a muitos incautos que tentam chegar à linha de água (muitas vezes a quase dois quilómetros da costa) caminhando; muitos também já ficaram com as suas viaturas destruídas por as conduzirem para além dos limites estabelecidos. Weston-Super-Mare é um centro turístico muito frequentado na época estival, sendo as suas maiores atracções o Pier, as carruagens de burros para transporte de turistas ao longo da costa e, por falta de outras, as suas praias.
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As imagens que se seguem foram registadas do outro lado do estuário, no porto de Cardiff, País de Gales, onde o cenário é igualmente desolador, mas belo. A saída e entrada dos barcos no porto têm que ser efectuadas a horas precisas, geralmente durante a noite. Aqui podíamos visitar o Welsh Industrial and Maritime Museum, agora trasferido para o novo National Waterfront Museum, em Swansea. A cidade de Cardiff tem como principal atracção o seu castelo e o novíssimo (e para mim ainda desconhecido) Stadium Y Mileniwm, Parc Yr Arfau, Caerdydd ou The Millennium Stadium, Cardiff Arms Park, Cardiff, palco dos principais eventos desportivos do País de Gales e por muitos considerado o mais belo estádio do mundo.
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Mas é a beleza inóspita do estuário do Severn que marca a diferença neste recanto costeiro da Grã-Bretanha. E num mundo em que as diferenças entre as paisagens naturais ou construídas não abundam ou se esbatem cada vez mais, é disto que a alma se alimenta.
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domingo, 28 de janeiro de 2007

Adega Novelense

Aqui Bem Se Come!
Guia para o bom garfo e a carteira leve.


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Encontrarão o Restaurante Adega Novelense na freguesia de Novelas, nos arrabaldes de Penafiel, sito na Avenida 25 de Abril. E será certamente um excelente encontro. O único logro de que serão alvo será certamente o de procurarem uma avenida... numa aldeia. A Adega Novelense está situada à beira da estrada municipal de acesso ao centro da freguesia, a duas centenas de metros da igreja. Nós encontrámo-lo porque aqui viemos a um encontro de coleccionismo, realizado na Junta de Freguesia local.
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Come-se muito bem e paga-se pouquíssimo nesta casa de pasto: casamento ideal para gente de boa mesa. Sete (7!!!) euros por costelinhas de vitela assadas no forno, acompanhadas de batatinhas assadas (caseiras, por certo, e com todo o suco das carnes) e de um magnífico arrozinho seco servido em travessa de barro. Tudo bem regado com um tinto maduro discreto da casa, que caiu muito bem. De entrada, comeram-se umas azeitoninhas deliciosas - com a acidez certa e amargura que baste - e umas rodelas de um paio de Sendim magnífico. Com broa de milho, claro. Comida caseira de primeiríssimo sabor! As carnes, segundo a dona da casa, tal como os enchidos, são todos oriundos da referida vila mirandesa. Metade dos meus amigos comensais alinharam pela alheira, e só disseram muito bem.
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Mas maior garante de como aqui bem se come é a clientela: na sua maior parte trabalhadores da construção civil, certamente em busca do melhor conforto digestivo para compensar a aspereza do trabalho. O algodão não engana!
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A Adega Novelense é uma casa humilde, como o serviço. E o cartão da casa é um mimo, como se vê.
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À mesa: O Domingos Ferreira e o afilhado, a Cristina Ponte e o pai, o Romeu Lopes e o Viandante.
Avaliação: 9/10
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Cheiro a Terra

Da Memória

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A memória é assim: quando recordamos um momento ou algo sobre o qual já tenha decorrido muito tempo, na verdade, estamos a recordar algo que é mediado, editado - determinado pelo desgaste do tempo, os relatos que fizemos e ouvimos, a nossa volição, as fotografias que fomos revendo, os nossos valores em constante mudança... - ao ponto de, por vezes, já não ser verídico.
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O meu pai faleceu há mais de 25 anos, tinha eu 11. Do seu rosto, com muita amargura, creio já não ter nenhuma imagem pura. O que me resta é uma espécie de composição, resultante dos poucos momentos vivos que recordo e das fotografias que ficaram - não muitas. Na realidade, talvez a imagem mais fidedigna que dele tenha seja aquela com que me deparo todos os dias ao espelho. Assim o diz a minha mãe, com alguma verdade: sou a sua cara chapada - talvez também seja o coração dela a querer recordá-lo no meu rosto. Talvez. A passagem do tempo é assim.
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Regressámos de Moçambique em 1974, tinha eu 4 anos. Desses anos pouco resta: alguns objectos em pau-preto, dois baús em madeira trabalhada, um bote em borracha, algumas fotografias... pouco mais. Não posso dizer que tenha alguma memória desses 4 anos; tudo o que poderei contar será o que ouvi da minha mãe: a travessia do "rio Licungo, cheio de crocodilos", "o lacrau que te ia mordendo (ou mordeu?)" e que "o teu pai queimou em álcool", as "cobras que comiam as galinhas", "o Datsun que lá deixámos", o "maior palmar do mundo", "o carrinho em madeira que o teu pai te fez"... Na verdade, nenhuma imagem para além daquelas que ficaram registadas em fotografia.
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Mas a natureza humana é extraordinária: se há alguma coisa que eu consiga recordar, embora de forma inefável, intangível, é o cheiro de África, da sua terra. Não sei como é; não posso descrevê-lo... sei apenas que, do mesmo modo que sinto o bater do coração no peito, sinto, de vez em quando e cada vez menos, uma palpitação da memória olfativa (não sei como a descrever de outra forma) quando vejo imagens de África na televisão ou no cinema. Aconteceu-me de forma intensa ao ver Out of Africa, por exemplo. É uma memória maravilhosa - e esta, tenho a certeza, não está longe de ser pura.
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O bote de borracha que veio de Moçambique e usei até aos 18 anos.
Na praia de Macuze, Quelimane, e no rio Balsemão, em Penude, Lamego

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Bons Ventos de Espanha

Palavra Esparsa

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Como vem acontecendo quase todas as semanas de há alguns meses para cá, ontem desloquei-me a Salvaterra do Miño, Galiza, do outro lado de Monção, além rio Minho.
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Motivo: atestar o depósito de uma das viaturas cá de casa. O litro de gasolina estava ontem a €0,956 - menos cerca de 27 cêntimos que em Portugal. Poupança: €11,50 em quase 39 litros. Se contabilizar os 75 quilómetros da deslocação, ida e volta, a partir de Arcos de Valdevez, faço uma poupança real de cerca de 6 euros. Se tivesse ido com o outro automóvel, teria poupado 8, sensivelmente. Uma poupança média de 30 euros mensais em combustível.
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Perguntam-me: e justifica-se? Se fizer a deslocação apenas para este fim, talvez não. Como disponho de algum tempo (pois parte do trabalho é nocturno), presto-me aos quilómetros necessários e "estouro" a poupança no totobola e totoloto locais: La Quiniela e La Primitiva.
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Motivo para mais umas continhas: registo semanalmente 8 euros na Primitiva, o equivalente a 8 apostas (4 para o concurso de 5ª e 4 para o de sábado). Ou seja, 1 euro por aposta. Em Portugal, cada aposta no Totoloto fica-nos por 40 cêntimos. Bastante menos, poderíamos dizer; só enquanto não fazemos outros cálculos: se obtivermos 3 acertos em Portugal, amealhamos cerca de €1,50, em média; em Espanha, o prémio é sempre de €8,00. Não é preciso saber fazer a "regra dos três simples" para ver a diferença. E como se não bastasse, por cada boletim registado na Primitiva atribuem-nos um algarismo de 0 a 9 (chamado de Reintegro), gratuitamente. Se o algarismo sorteado for o que está registado no nosso boletim, devolvem-nos o montante gasto nesse boletim.
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Faço o preenchimento dos boletins numa cafetaria. Ontem pedi uma garrafa de água com gás, de tiempo (expressão muito mais bonita que o nosso "natural"). 90 cêntimos (mais 15-30 cêntimos do que pagaria em Arcos de Valdevez). Tinha os seguintes jornais à disposição: Hoy, Faro de Vigo, Marca, Sport e um jornal local de que não registei o nome). Ganho sempre uma hora a ler as notícias de nuestros hermanos e a aprimorar o meu castelhano. De vez em quando, saboreio uma das bolachinhas que nos colocam gratuitamente à disposição num cestinho de vime. Boas.
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Regresso a casa satisfeito. Sempre com a esperança de que a sorte grande me possa sorrir. Mais pobre, de certeza que não fico.
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terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Nós, sobre Miró

Instantes
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Mosaïc de Miró, Rambla de Sant Josep, Barcelona

Agosto de 2002

A Cláudia, a Esperança, a Nanda, a Paula, o Mateus, o Zé Maria e o Viandante

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Índice: Dezembro 2006/ Janeiro 2007

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Um mês de existência do Viandante e 35 posts publicados, cujos títulos aqui recupero, organizados por rubricas:

Poema do Mundo
- The Mother, 23/12/2006
- Poema do Alegre Desespero, 30/12/2006
- Canção, 10/01/2007
- Defesa de Peter Huchel ou Critério, 15/01/2007
Capas
- Rosto Irlandês, 23/12/2006
- Laranja Mecânica, 07/01/2007
Vianda
- As Rabanadas da Minha Mãe, 24/01/2006
- Perninhas de Frango com Vinho do Porto, 12/01/2007
Sublinhado
- Conversa na Catedral, 25/12/2006
Instantes
- Amendoeira... e Vinhedo, 25/12/2006
- Anoitecer Atlântico, 28/12/2006
- Amanhecer Alpino, 29/12/2006
- Olá!, 30/12/2006
- Busgalinhas, 09/01/2007
- Soleira, 15/01/2007
Histórias do Açúcar
- Sorte Grande em Nerín, Aragão, 26/12/2006
- Descobrimentos Portugueses, 05/01/2007
Andarilho
- Bank Holiday em Waterford, Irlanda (I), 27/12/2006
- De Mazouco a Freixo de Espada à Cinta, 04/01/2007
Palavra Esparsa
- Este País, 28/12/2006
- Ano Novo, Vida Nova?, 30/12/2006
- 2007, 01/01/2007
- DJ-ing, 03/01/2007
- Flags Of Our Fathers, de Clint Eastwood, 14/01/2007
- Vandalismo na Praça de Lisboa, 16/01/2007
- A Insustentável Leveza do Segredo, 21/01/2007
- Batota!, 22/01/2007
Lido e Relido
- Mais vale só peixe frito do que mal acompanhado, 29/12/2006
- Nova Iorque, 09/01/2007
- As palavras são assim..., 20/01/2007
My English Notes
- City versus Town, 02/01/2007
Grandes Letras
- Wreck on the Highway, 06/01/2007
Cartoonices
- A Rede, 13/01/2007
- Password, 18/01/2007
Vinhateiro
- Por uma Malga de Vinho, 19/01/2007
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Batota!

Palavra Esparsa
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O Presidente do Gil Vicente diz ter havido batota no processo que relegou o seu clube para a II Divisão de Honra.
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Um novo take da lusa comédia foi anunciado hoje, desta vez no âmbito da justiça desportiva: "aparentemente, a Comissão Disciplinar da Liga dá razão ao Gil Vicente ao mandar arquivar o processo instaurado ao clube por entender que não houve infracção disciplinar no recurso aos tribunais civis" (A Bola on-line).
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Agora digam-me: mas alguém pode levar este país a sério?
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Será que um país sem um sistema judicial credível tem futuro?
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Mesmo que os galos não tivessem razão, passaram a tê-la!
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E - cruzes, canhoto! - que a fortuna nos afaste dos meadros da in-justiça portuguesa...
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