terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Busgalinhas

Instantes


Primavera de 2004
Busgalinhas, Serra da Peneda

domingo, 7 de janeiro de 2007

Laranja Mecânica

Capas
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A Clockwork Orange, de Anthony Burgess, é, indiscutivelmente, uma das obras primas do romance britânico e mundial. Não poucas vezes as capas ficam aquém do poder evocativo dos enredos ou - neste caso ainda mais relevante - dos títulos que encerram.
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Para quem não conhece o romance ou viu a obra prima cinematográfica de Stanley Kubrick, com o mesmo nome, o enredo centra-se na questão recorrente da natureza do Bem e do Mal: "What does God want? Does God want goodness or the choice of goodness?" Será que se pode tratar clinicamente um delinquente de modo a que ele passe a ser "bom"? Ou o ser-se "bom" mecanicamente é um acto desumano, por não ser genuino? Só será genuíno aquilo que resulta de uma escolha, do livre arbítrio. Será, portanto, o Mal genuíno, parte da natureza humana? E o Poder, de que modo o Bem e o Mal são parte da sua essência?
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Em suma: há solução para o Mal?... e para a corrupção do poder?
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Certamente não quererão que vos dê a minha interpretação da capa (Ilustração de David Pelham)... Deixo-vos, contudo, uma questão (que certamente terá múltiplas possibilidades de resposta): por quê as alças azuis?
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Li esta edição do romance, pela Penguin Books, (não datada) em Novembro/ Dezembro de 1992.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Wreck on the Highway

Grandes Letras
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Last night I was out driving
Coming home at the end of the working day
I was riding alone through the drizzling rain
On a deserted stretch of a county two-lane
When I came upon a wreck on the highway
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There was blood and glass all over
And there was nobody there but me
As the rain tumbled down hard and cold
I seen a young man lying by the side of the road
He cried Mister, won`t you help me please
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An ambulance came and took him to Riverside
I watched as they drove him away
And I thought of a girlfriend or a young wife
And a state trooper knocking in the middle of the night
To say your baby died in a wreck on the highway
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Sometimes I sit up in the darkness
And I watch my baby as she sleeps
Then I climb in bed and I hold her tight
I just lay there awake in the middle of the night
Thinking `bout the wreck on the highway
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Bruce Springsteen and the E Street Band
The River, 1980
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O renomado professor da Universidade de Harvard, Robert Coles, num livro publicado em 2004 (Bruce Springsteen's America, Random House), coloca o cantor de New Jersey no panteão dos artistas americanos, comparando-o a Walt Whitman e William Carlos Williams, e designando-os como "poetas do homem americano comum".
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Wreck on the Highway é apenas um dos exemplos da grande poesia que podemos encontrar em The River, seguramente um dos melhores álbuns da história da música. É um poema fácil, aparentemente sem grande trabalho estético. Haverá certamente quem questione a apreciação de Robert Cole, mas é inegável a forma magistral com que the boss canta o pulsar da vida americana: nas pequenas rotinas, nas paixões adolescentes, pela estrada fora... Poucos conseguem esquematizar de forma tão pungente e linear uma mundividência do americano comum. Poderia ter escolhido outras letras deste álbum, igualmente belas: a famosa The River, Point Blank, Drive All Night...
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Mas devo ressalvar este ponto: ao contário do que acontece com outros poetas-cantores, os poemas de Bruce Springsteen só ganham genialidade quando escutados, tal como sucede muitas vezes sermos tocados por um poema apenas quando o ouvimos declamado. Se não conhecem Wreck on the Highway e se são de elevada sensibilidade, preparem-se para um momento de grande comoção.
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Fiquem com esta magnífica fotografia de Bruce Springsteen and the E Street Band (também me apetecia escrever sobre ela, mas não vos maço mais), retirada do booklet do CD:
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sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Descobrimentos Portugueses

Histórias do Açúcar
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Esta história não precisa de ser contada por mim; podia ser narrada por qualquer de nós.
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Com muito orgulho, até poderíamos dizer que foram os portugueses a dar os primeiros passos para a descoberta desta doce substância: o açúcar.
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E enlevados pelo orgulho, até poderíamos arriscar esta tirada: "e inventámos o pacote de açúcar". Mesmo que não seja verdade (que não o é - o primeiro pacote de açúcar conhecido foi elaborado nos Estados Unidos da América), todos acreditariam em nós, tão grandiosa foi a nossa façanha dos descobrimentos.
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Para os meus amigos leitores (presumo que ainda poucos - mas certamente mais fiéis que o nosso delicioso amigo da Noruega) que não conhecem esta estranha modalidade de coleccionismo; para aqueles que já a conhecem e não lhe acham piada; para aqueles que até sabem que sou coleccionador de pacotes de açúcar e ainda não tiveram a amabilidade de me arranjar um pacotinho raríssimo; para todos vós (alguns, certamente, até acharão alguma graça a esta tontería) ...
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Para todos vós, dizia, lembrei-me hoje de digitalizar uma das mais belas colecções (nós, os tolinhos, chamamo-lhes séries) de pacotes de açúcar feitas até hoje em Portugal. É dos anos 80 e foi embalada na Sores - Sociedade de Refinadores de Santa Iria SA -, tendo os respectivos desenhos ganho o 2º prémio de um concurso de ilustração na comemoração dos 500 Anos dos Descobrimentos Portugueses. Existem outras duas séries relativas ao 1º e 3º prémios desse concurso (as 3 séries são embaladas pela Sores e pela Sidul - Sociedade Industrial do Ultramar -, ambas, hoje, nas mãos - grrrrr! - da Tate & Lyle).
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E como eu dizia... não precisa de palavras:
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Deliciosa, não é?
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Agora chamem-nos tolinhos!
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Se por acaso os meus amigos leigos (ou respectivos familiares, amigos e inimigos...) tiverem por aí algumas raridades como esta e estejam uns mãos largas, nem sabem a alegria que me dariam...
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Mais uma vez, doce 2007!
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quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

De Mazouco a Freixo de Espada à Cinta

Andarilho

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Para quem viaje por terras de Trás-os-Montes e Alto Douro e se acerque aos concelhos de Torre de Moncorvo e Freixo de Espada à Cinta, e por meríssimo acaso dê de caras com este blogue, peço-lhe que considere este relato na escolha de um trajecto para passeio de automóvel. E se de bicicleta, ainda melhor.
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O percurso que noventa e muitos por cento dos passeantes toma quando passa por estas terras raianas é, se na direcção Torre de Moncorvo - Freixo, a estrada N220 e N221, ou por ordem inversa em direcção contrária. Pois calhou que, quando em Agosto de 1999 passei por estas terras durienses, talvez, ou quase por certo, inspirado pelo sublime repasto no restaurante O Artur, em Carviçais (e que merecerá por si só um relato neste blogue), o ânimo me desviasse da N221 para a estrada municipal que nos leva a Mazouco. Trajecto durante o qual tirei a fotografia que introduz este post.
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Acontece que não terá sido apenas Baco e a vinhaça do Artur que me desviaram da N221. Alguns anos antes tinha lido no Boletim (revista da Universidade do Porto) um conjunto de artigos sobre as gravuras rupestres de Foz Côa, em que se referia o Cavalo do Mazouco como a primeira das gravuras do Paleolítico Superior ao ar livre conhecida em Portugal. Daí que, ao deparar-me com a placa rodoviária de desvio para Mazouco, tudo se conjugou para que se fizesse luz.
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A aldeia de Mazouco está inserida no Parque Natural do Douro Internacional. A sua pacatez reflecte o isolamento a que esta zona do país (felizmente?) está votada. Ao entrar na aldeia, lembro-me de não ver quase ninguém nas ruas íngremes e estreitas. Também talvez porque, ali tão próxima, os seus habitantes tenham adoptado o maravilhoso hábito da sesta da vizinha Espanha.
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Foi-me fácil chegar ao núcleo de gravuras rupestres, seguindo um desvio até ao rio. A água, a poucos metros, apresentava uma cor escura, verde acinzentada. De imediato me chocou o facto de a parede xistosa do núcleo estar vandalizada com grafitos de adolescentes apaixonados, sem qualquer protecção. Felizmente que a gravura principal, a que os locais chamam de Carneiro (mas que os especialistas identificam como um cavalo) estava incólome. Segundo soube depois, dizem haver um tesouro escondido no local para onde o dito bicho está a olhar, o outro lado do rio:
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Mas o melhor ainda estava para vir: ao arrepiar caminho para voltar à aldeia, deparei com uma estrada em terra batida (estará hoje asfaltada?), à esquerda, direcção sul. Não me apeteceu subir as ruas íngremes e estreitas de Mazouco, pelo que resolvi tomá-la, sabendo que todos os caminhos levam a algum lado - e por que não a Freixo de Espada à Cinta?

A verdade é que não me lembro de alguma vez ter percorrido um troço de estrada ou caminho em que me tenha sentido tão em comunhão com o mundo. Percorridas poucas centenas de metros, parei. Sentia o meu Micra a mais naquele espaço natural. Desliguei-o e caminhei um pouco a pé. O silêncio era intenso, tirando o restolhar da brisa ligeira nas árvores que cresciam junto ao rio (oliveiras, cerejeiras e choupos, creio). O sol de verão aconchegava a alma. Viam-se alguns barcos ancorados num pequeno braço de rio. Apenas uma casa ou outra, sem ninguém que se visse poder estar a habitá-las. Disse para mim que, se pudesse, construiria ali uma casa pequenina para poder desfrutar do paraíso alguns dias por ano...

Retomei a viagem, lentamente. A estrada afastou-se do rio - e o sentimento de plenitude com ela. Cheguei a Freixo de Espada à Cinta... Realizado.

Notas:

Mapa retirado (e adaptado) de http://www.mapquest.com

O Boletim a que fiz referência é o nº 25, de Junho de 1995

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

DJ-ing

Palavra Esparsa
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Dizem que o meu irmão gosta de dar música ao pessoal. E não existe verdade mais verdadeira: trabalha numa das maiores discotecas do país, em Ofir, onde é DJ residente. Mas também faz uma perninha aqui e acolá quando o dinheiro canta alto (para uma boa voz, boa música, está-se bem a ver!). Actua no estrangeiro três a quatro vezes por ano, mas aí só para tenores, ah, ah, ah!. Já esteve em Ibiza, Granada, Miami, Paris, Middlesborough, Liverpool (já ouviram falar do festival Creamfields, o maior do Reino Unido? Não? Pois, meus amigos, há que entrar na onda...!).
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A minha mãe gostava que ele tivesse uma profissão. Anda sempre com o coração nas mãos, a pensar que se ele perde o emprego, que se fica doente, que isto e aquilo, que isso não é vida, filho!... que... que... se... se..., vira o disco e toca o mesmo... E tem alguma razão, a minha mãe; mas a vida tem destas coisas: pratos, faixas, batidas, misturas, batidas, misturas, som, luz, batidas, misturas...
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E remisturas... Gosta de marcar o seu próprio ritmo, o meu irmão.
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Quando o meu irmão me diz que não tem paciência para ler e eu o tento convencer de que não sabe o que perde, responde-me que prefere construir ele a sua própria narrativa...!!! Profundo, hem? Faz jus ao seu nome: DJ Nelly Deep - o meu irmão.
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Luzes!
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Som!
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... dancemos...
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Esta tentativa de DJ-ing textual é um brinde ao meu irmão, que hoje faz anos. Cheers, mano! A minha amiga Ana Helena também apaga velinhas hoje. Com certeza se entreterá com outras danças... Que sejam boas, amiga. Beijinho.
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Ah, já me esquecia:
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terça-feira, 2 de janeiro de 2007

City versus Town

My English Notes

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Wells, Somerset, Inglaterra.

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Quando aqui estive, em 1993, um casal que me acompanhava informou-me, com bastante orgulho, que Wells era uma cidade. "Uma cidade?", perguntei algo incrédulo, pois Wells contava então, tal como agora, com cerca de dez mil habitantes, o que para os padrões britânicos equivale a uma nossa aldeia grande. E era pouco mais do que isso que parecia ser. Yes, a city! It has a cathedral! It's the smallest English city!, responderam-me entusiasmados.

Este intróito para abordar a questão que muitas pessoas me colocam - e não apenas os meus alunos - sobre o uso das palavras city e town, ambas traduzíveis em português por "cidade".

Ora, para abreviar a resposta, costuma dizer-se que uma city é maior e mais importante do que uma town. O que está correcto, sobretudo se estamos a falar dos Estados Unidos da América. Contudo, se falamos do Reino Unido, esta explicação pode fazer com que não bata a bota com a perdigota.

No Reino Unido, uma city geralmente tem (tinha, será mais apropriado) uma catedral diocesana. O problema é precisamente o advérbio geralmente. Tal como Wells, cidades pequenas como Ely, Truro e Chichester, todas com menos de 25 mil habitantes, têm catedral e são cities. Têm em comum o facto de serem cidades com origens remotas no tempo. Mas há cidades sem catedral que atingiram uma dimensão e uma importância grandes e são hoje designadas por cities, como Leeds, Sheffield e Cambridge.

Para complicar as contas, há burgos com catedral, como Chelmsford, que não são cities, e há centros de maior dimensão, como Reading e Blackburn, que também não o são. E ainda temos cities que tiveram catedral e já não a têm, como a lindíssima Bath, e que ainda são cities.

É caso para dizer, como um ilustre jornalista já falecido diria com um sorriso nos lábios: "E esta, hem?"

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Nota:

Para uma explicação mais detalhada, por favor consultar a seguinte página da Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/City_status_in_the_United_Kingdom

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

2007

Palavra Esparsa
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Há sempre o risco de que um blogue seja visto como uma "feira de vaidades". Tanto como num livro, numa carta a um jornal ou na organização de um evento (e em inúmeros outros actos da vida humana), o ego nunca está completamente ausente. Tenho isso bem presente sempre que edito um qualquer texto.
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Mantenho este blogue com um objectivo central: a de que seja um repositório das minhas memórias e opiniões. Particularmente as que resultem das duas experiências de vida que mais prazer me dão: estar à mesa e viajar; concomitantemente, a de conviver com os que me são próximos e com todos os que vou conhecendo nas minhas andanças.
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Paralelamente, pretendo dedicar um pouco deste espaço virtual aos modos de lazer que contribuem para definir aquilo que sou e a forma como vejo o mundo.
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Estabeleci como propósito para este ano manter o mais interessante possível este espaço, de modo a que aqueles que por aqui passem, intencionalmente ou por mero acaso, encontrem algo de significativo para si. É isso que procuro quando visito outros espaços semelhantes.
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Mas antes que tudo, deve ser significativo para mim. Tal como o é um diário.
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Um bom 2007!

domingo, 31 de dezembro de 2006

Ano Novo, Vida Nova?

Palavra Esparsa
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Ano novo, vida nova!, costumamos dizer. Todos os ditos encerram em si algo de verdade. Para melhor ou pior, será sempre, de algum modo, "vida nova"; e também será sempre a mesma vidinha em muitos aspectos da nossa caminhada pessoal.
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Não atribuo especial importância e este período festivo de final de Dezembro. Houvesse um pouco mais de disponibilidade financeira e estaria de bom grado a viandar por paragens desconhecidas. De mochila às costas na Nova Zelândia, de bicicleta na Nova Gales do Sul (sonha, Rui, sonha...), sozinho, acompanhado... o que fosse - o importante seria estar longe das rotinas que nos aprisionam durante o ano inteiro. Isso sim, seria vida nova.
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Para muitos, infelizmente, neste inverno gelado, um agasalho e uma refeição quente todos os dias já seriam uma boa nova.
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Obviamente, valorizo o estar em família - que esta quadra propicia. Mas isso, vou tentando fazê-lo durante todo o ano... assim como com os amigos...
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Por isso, aproveito a noite de ano novo (ou será "noche vieja", como dizem os espanhóis) para, em vez de formular 12 desejos, estabelecer 12 propósitos - que geralmente implicam uma qualquer mudança ou um esforço significativo. Fico contente se consigo tornar reais metade deles - pois isso, sim, renova a minha vida.
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Seja qual for o vosso rito de passagem de ano, desejo do fundo do coração que augure um feliz 2007.

sábado, 30 de dezembro de 2006

Olá...!

Instantes

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Agosto de 2005
Ruta del Cares, Picos da Europa, Espanha
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Olá, ... Ermelinda! Parabéns! Perdoa-me, mas não me lembrei de mais nada. Hoje a criatividade não me tocou. Mas o pardaleco até é giro, não é? Cheio de personalidade... Beijinhos.