segunda-feira, 25 de dezembro de 2006

Conversa na Catedral

Sublinhado
Há muitos anos que tenho o vício de sublinhar os livros que leio: as passagens que acho mais relevantes, belas, hilariantes...
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Li Conversa na Catedral, de Mário Vargas Llosa, em Setembro/ Outubro de 1995. É, ainda hoje, um dos meus romances de eleição. Marcou-me logo desde a primeira página - esta, de que vos mostro dois sublinhados. Sem dúvida, pelo seu processo narrativo e técnica de diálogo... Edição de 1991 do Círculo de Leitores.

domingo, 24 de dezembro de 2006

As Rabanadas da Minha Mãe

Vianda
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As rabanadas da minha mãe são as melhores do mundo. Indiscutivelmente! Dúvidas? Se alguém as tiver, fica desde já marcado um duelo de rabanadas junto ao Paço de Giela, em Arcos de Valdevez, para as 24 horas de hoje, noite de consoada. Atrevam-se!
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Por que são as melhores do mundo? Antes de mais, porque é ela quem o diz (só aos filhos, claro); em segundo lugar, e não menos importante, porque sou eu que as provo.
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Mas tenho uma boa notícia: a minha mãe não se importa de partilhar a receita; só não pode é emprestar as suas mãozinhas de fada. Desenrasquem-se!
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Tudo começa pela escolha do melhor pão, claro: cacete com mistura de centeio, a cortar em fatias da grossura do dedo médio da mão. Leve-se o leite ao lume com 2 colheres de açúcar e uma ou duas cascas de limão, até ficar quente. Verta-se o dito para um recipiente, onde se irão molhar completamente as fatias de pão, uma a uma. O leite absorvido pelas fatias de pão em excesso deverá ser espremido entre as palmas das mãos. De seguida, passam-se por ovo batido e tornam-se a espremer do mesmo modo. Entretanto, já se colocou ao lume uma frigideira com bastante óleo, onde se fritarão as fatias de pão até que fiquem douradas. Também já se colocou uma cafeteira com água ao lume, a que se junta bastante açúcar, um pau de canela e três ou quatro cascas de limão. Deixa-se ferver até reduzir. À calda adicionamos, então, um cálice de Vinho do Porto. A ferver novamente até ficar apurado. Mais um cálice de Vinho do Porto e deixa-se que apenas levante fervura para obtermos a calda final, que se coloca num recipiente. Uff! Etapa final: embebemos as fatias de pão fritas nesta calda deliciosa, antes de as colocarmos na travessa ou taça, uma a uma. O que sobrar da calda, verte-se sobre ao que agora já podem chamar de As Rabanadas da Mãe do Rui.
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E aqui têm o meu miminho de Natal. Prometo que comerei uma por cada um de vós... têm bom aspecto, não têm?
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Espero que também gostem do meu blogue - recém nascido... E que o possam visitar muito de vez em quando, nem que seja para ver se não haverá por aqui mais algum miminho para os meus amigos - ou uma história que partilhemos.
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Tudo de bom para todos.
Rui

sábado, 23 de dezembro de 2006

Rosto Irlandês




Capas




A National Geographic de Abril de 1976 apresenta na capa o rosto lindíssimo de um garoto irlandês da península de Dingle. É um dos exemplares da revista americana que guardo com mais carinho. Igual à paixão que nutro pelo país.
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Cabelo ruivo, bochechas nutridas, sardas belíssimas, olhar e meio-sorriso traquinas... É este ainda o rosto de muitos garotos irlandeses trinta anos depois, numa época bem mais abastada. Porque também é sobre isso que nos fala esta capa: sobre a pobreza generalizada de um país então ainda em busca de se afirmar. Quantos garotos terão vestido antes este casaco de corte adulto e lavra artesanal? Quantas casas não teríam então as paredes vazias de cor? Seria esta criança feliz porque tinha muitos brinquedos... ou porque corria pelos prados esmeralda empurrado pelo vento frio do Atlântico Norte?
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Não escrevo este post só para partilhar convosco esta capa. Ontem a minha esposa passou pelo quiosque e trouxe-me o último número da National Geographic portuguesa. Custou apenas um euro. Um euro! Não é a primeira vez que a revista é vendida a este preço absurdo. Será uma campanha para angariar mais assinantes? Desejo sinceramente que não seja uma tentativa desesperada. Em todo o caso, decidi subscrevê-la. Façam o mesmo, se já não o fizeram. O seu desaparecimento seria uma perda irrecuperável: não há nenhuma outra publicação com esta qualidade. Na edição deste mês podemos ler um artigo sobre uma outra perda, tristemente famosa: a presumível extinção do pica-pau-bico-de-marfim. Só este relato valeria o euro dispendido.
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National Geographic Portugal: http://www.nationalgeographic.pt

The Mother

Poema do Mundo


Of course I love them, they are my children.
That is my daughter and this is my son.
And this is my life I give to them to please them.
It has never been used. Keep it safe. Pass it on.

Anne Stevenson

Dedico o primeiro post do meu blogue à minha mãe, Alice.